Na quarta-feira (22), pesquisadores da Fundação Projeto Tamar realizaram a primeira abertura pública de ninho de tartarugas da temporada 2025/2026 em Fernando de Noronha. O evento, que ocorreu na Praia do Bode, reuniu moradores e turistas interessados em acompanhar de perto o trabalho de preservação ambiental.
Importância da participação pública
A coordenadora do Projeto Tamar, Rafaely Ventura, destacou a relevância da atividade para a conscientização ambiental. "A atividade ajuda a reforçar a conscientização ambiental e a necessidade de preservar a natureza", afirmou. A iniciativa visa aproximar a comunidade do trabalho de conservação das tartarugas marinhas.
Temporada atípica
A espécie que se reproduz na ilha é a tartaruga-verde (Chelonia mydas). Os pesquisadores identificaram uma redução no número de ninhos em Noronha após a temporada recorde de 2024/2025, quando foram registradas 805 desovas. Até quarta-feira (22), haviam sido identificados apenas 44 ninhos. Os estudiosos avaliam que essa redução pode estar relacionada à concentração de dois ciclos reprodutivos em uma única temporada. Outra hipótese é a adaptação das tartarugas às mudanças climáticas, o que pode ter atrasado o pico das desovas.
Detalhes da abertura do ninho
Segundo os pesquisadores, o ninho aberto durante a atividade eclodiu na noite anterior e continha 109 ovos. Apenas alguns filhotes retardatários ainda precisavam fazer o percurso até o mar. Quatro tartaruguinhas permaneceram no local e realizaram a caminhada até a água, sob os olhares atentos do público.
O músico Felipe França, morador da ilha, levou o filho para acompanhar o evento. "Trouxe meu filho de dois anos porque acho importante que ele participe dessas ações", contou. O condutor de visitantes Paulo Sérgio Santos, também morador de Noronha, participou da ação ambiental. "Resolvi vir com a família porque é um momento único. É a natureza seguindo seu instinto. É algo espetacular", afirmou.
A psicóloga Mariana Salvete, turista de São Paulo, aproveitou a visita a Fernando de Noronha para acompanhar a abertura do ninho. "Foi emocionante ver todos torcendo para que essas tartarugas sobrevivam nesse mar imenso", afirmou.
Preocupação com o impacto humano
A estudante Ana Clara Matiuse participou da atividade pela primeira vez, mas demonstrou preocupação com a quantidade de pessoas no local. "É interessante, mas fiquei com pena das tartarugas. Talvez pudesse ter menos gente. Entendo que seja uma ação de educação ambiental, mas fico em dúvida sobre o impacto causado pela quantidade de pessoas", avaliou.
A coordenadora Rafaely Ventura respondeu às preocupações, destacando que o Projeto Tamar atua em Fernando de Noronha há mais de 40 anos. "A gente cuida melhor quando conhece. Essa é uma oportunidade de compartilhar conhecimento com as pessoas", afirmou.



