Santos avança em políticas climáticas com inventário de emissões e observatório municipal
A Prefeitura de Santos deu um passo significativo no enfrentamento às mudanças climáticas ao anunciar, durante o segundo encontro do Fórum Santos 500+, a realização ainda este ano de um inventário de emissões de gases de efeito estufa e a instituição de um observatório de mudanças climáticas no Município. O evento, realizado no auditório do Grupo Tribuna, reuniu especialistas e autoridades para debater condições climáticas e integrar o processo de atualização do Plano Municipal de Ação Climática (Pacs).
Inventário trará dados precisos sobre emissões de carbono
De acordo com o secretário adjunto de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Gabriel Miceli, o inventário permitirá identificar com precisão a quantidade de carbono e outros gases emitidos na Cidade. "A importância do inventário está atrelada à própria existência do Pacs, para que possamos estabelecer indicadores e metas", afirmou. Miceli destacou que uma empresa especializada será contratada para realizar a análise dentro de protocolos internacionais, garantindo a confiabilidade dos dados.
Especialistas destacam importância da ciência e infraestrutura resiliente
A abertura do encontro foi conduzida pelo professor Ronaldo Christofoletti, que participa de pesquisas na Estação Comandante Ferraz, na Antártida, e participou do evento diretamente do continente gelado. Ele enfatizou a necessidade de investimento em ciência e transparência dos dados climáticos. "É preciso investimento e monitoramento desses dados sobre o clima, e que eles sejam públicos, permitindo que a ciência faça a sua parte", declarou Christofoletti.
O professor Rafael Pileggi, da Escola Politécnica da USP, ressaltou que as cidades precisam ser planejadas de forma integrada, considerando aspectos aerodinâmicos e a distribuição de água, luz e energia. "Você não faz mais uma cidade só edificando. Elas têm que ser pensadas do ponto de vista da infraestrutura e da eletrificação da economia. Em alguns locais, será preciso repensar o zoneamento", destacou.
No campo da proteção costeira, o professor Tiago Zenker Gireli, da Unicamp, apresentou resultados positivos do projeto-piloto das geobags na Ponta da Praia. Segundo ele, a área que perdia entre sete e dez metros de faixa de areia por ano passou a registrar ganho médio de sete metros. Gireli defendeu a ampliação das barreiras submersas para outros trechos da orla em erosão.
Investimentos em segurança hídrica e gestão de risco portuária
O diretor-presidente da Sabesp, Carlos Piani, afirmou que a companhia antecipou investimentos para reforçar a segurança hídrica da região, diante do cenário de escassez de chuvas nos últimos anos. Já o superintendente de Governança, Riscos e Compliance da Autoridade Portuária de Santos, Cláudio Bastos, destacou a importância do sistema VTMIS de gerenciamento do tráfego de navios, aliado a soluções de inteligência climática para aprimorar a tomada de decisões no Porto.
Eventos extremos e integração de dados municipais
Dados federais indicam o registro de dez eventos climáticos extremos em Santos nos últimos 30 anos, o mais recente em 2023. O diretor da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias, apontou subnotificação na plataforma nacional, já que muitos registros dependem da decretação de situação de emergência. Segundo ele, o Município mantém mapeamento constante das ocorrências e defende maior integração entre sistemas municipais, estaduais e federais.
O observatório climático proposto pela Prefeitura deverá reunir dados já produzidos por órgãos como Defesa Civil e Autoridade Portuária, além de universidades, com o objetivo de consolidar informações e subsidiar políticas públicas baseadas em evidências científicas. Esta iniciativa representa um avanço significativo na gestão ambiental da cidade, alinhando-se com as melhores práticas internacionais de enfrentamento às mudanças climáticas.



