Vazão do Rio Atibaia cai 67% e preocupa abastecimento de Campinas
Rio Atibaia tem vazão 67% abaixo da média em janeiro

O Rio Atibaia, responsável por fornecer água para 95% da população de Campinas, no interior de São Paulo, enfrenta uma situação crítica neste início de ano. Dados oficiais revelam que a vazão média do rio está significativamente abaixo do esperado, acendendo um alerta sobre a segurança hídrica da região, embora não haja risco imediato de racionamento.

Queda histórica na vazão do principal manancial

De acordo com os boletins diários da Sala de Situação PCJ, a vazão média registrada no Rio Atibaia, na altura do Posto de Captação em Valinhos, está 67% abaixo da média histórica para o mês de janeiro. Até o dia 16 de janeiro, a média ficou em apenas 12,02 metros cúbicos por segundo (m³/s), um número muito distante da média histórica para o período, que é de 36,43 m³/s.

A situação se torna mais delicada quando se observa a outorga que regula a operação do Sistema Cantareira para as Bacias PCJ. Em vigor desde 2017, o documento estabelece que deve ser garantida uma vazão mínima média diária de 10 m³/s no ponto de captação de Valinhos. No entanto, em seis dos primeiros 15 dias do ano, essa vazão mínima não foi respeitada.

Sanasa emite alerta, mas descarta racionamento

Em reunião da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico, o diretor técnico da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento de Campinas (Sanasa), Marco Antônio dos Santos, repercutiu o problema. No dia da reunião, a vazão registrada era de apenas 8,41 m³/s, abaixo do mínimo acordado.

Santos alertou que a manutenção prolongada de vazões abaixo do limite pode gerar uma série de complicações, incluindo problemas na qualidade da água captada, aumento dos custos de tratamento e dificuldades para outros usuários do manancial. Apesar do cenário preocupante, a Sanasa emitiu uma nota garantindo que Campinas não sofre restrições no fornecimento de água para a população no momento.

A empresa afirmou que tem trabalhado para ampliar a segurança hídrica da cidade através do Plano Campinas 2030, que incluiu a construção de novos reservatórios e a troca de redes antigas, reduzindo significativamente as perdas na distribuição.

Dias críticos e busca por explicações

As medições diárias realizadas às 7h entre 1º e 15 de janeiro mostram os dias em que a vazão ficou abaixo do patamar mínimo de 10 m³/s:

  • 06/01: 9,38 m³/s
  • 07/01: 7,59 m³/s
  • 09/01: 9,84 m³/s
  • 10/01: 9,02 m³/s
  • 11/01: 9,17 m³/s
  • 12/01: 9,53 m³/s

Nos outros dias do período, o índice se manteve acima do mínimo estabelecido. A Sanasa informou que recomendou fortemente aos órgãos gestores – Agência Nacional de Águas (ANA) e SP Águas – que cumpram com a vazão mínima pactuada. O g1 tentou contato com a ANA, SP Águas e Sabesp para entender as causas da baixa vazão e seus possíveis impactos, mas não obteve resposta até a conclusão desta reportagem.

Enquanto isso, a Sanasa segue com projetos de longo prazo, como a construção do Sistema Produtor Campinas-Jaguari, para garantir o abastecimento futuro, mas a gestão da vazão atual do Rio Atibaia continua sendo um ponto de atenção crucial para as autoridades e para a população da região.