Concessão inédita para restauração ecológica marca novo capítulo na política ambiental brasileira
A empresa Re.green Participações S.A venceu, na quarta-feira (25), o leilão da concessão florestal para restauração de áreas degradadas na Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro, localizada no estado de Rondônia. A licitação, realizada na B3 em São Paulo, representa a primeira vez que o governo federal concede uma área florestal com foco exclusivo na restauração ambiental por meio da iniciativa privada.
Um modelo inovador de conservação com retorno econômico
Diferente dos modelos tradicionais de concessão florestal, voltados principalmente à exploração sustentável de recursos madeireiros, este novo contrato prevê a recuperação ativa de áreas degradadas com geração de créditos de carbono como principal fonte de receita. A área total da concessão abrange cerca de 90 mil hectares, dos quais mais de 12 mil hectares devem ser restaurados ao longo dos 40 anos de duração do contrato.
Segundo Thiago Picolo, CEO da Re.green, a iniciativa representa um avanço significativo para o setor de restauração ecológica no país. "Eu considero que é uma vitória do setor de restauração ecológica como um todo. Ao mesmo tempo que a gente está construindo uma empresa, a gente está ajudando a moldar o que pode ser um grande setor econômico para o Brasil no futuro", declarou o executivo.
Investimentos, benefícios sociais e participação indígena
A empresa se comprometeu a investir aproximadamente R$ 87 milhões no projeto e a repassar ao governo federal 0,70% da receita operacional bruta gerada na área concedida. A estimativa é que o projeto gere mais de 1,3 milhão de toneladas de CO₂ equivalente em créditos de carbono durante o período contratual.
Além do impacto ambiental positivo, a iniciativa deve gerar empregos e renda para as comunidades locais. De acordo com Renato Rosenberg, diretor de concessão florestal do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), comunidades indígenas participaram ativamente do processo de elaboração do contrato.
"Foi a primeira vez que o serviço florestal entrou em um território indígena para discutir um contrato de concessão. Um contrato administrativo que tem 40 anos de duração. A gente passou a considerar que contratação de mão de obra indígena, a empresa seria bonificada. E que 30% dos encargos acessórios seriam destinados especificamente para o desenvolvimento socioeconômico da comunidade Karitiana", explicou Rosenberg.
Conciliação entre preservação e desenvolvimento econômico
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância do modelo inovador que busca conciliar preservação ambiental com geração de retorno econômico. "É preciso criar formas de retorno que sejam inovadoras também. Porque senão a gente não conseguiria fazer com que agora a gente estivesse aqui batendo o martelo para restaurar a área degradada. O retorno tem o retorno que é para todos nós e vai ser para todos nós e o retorno a partir dos créditos de carbono", afirmou a ministra.
O projeto prevê o plantio de espécies nativas em áreas específicas, conforme critérios ambientais rigorosos, e foi dividido em duas unidades de manejo, embora apenas uma tenha recebido proposta no leilão realizado esta semana.



