Moradores do bairro Central Parque, em Sorocaba (SP), realizaram um protesto nesta segunda-feira (18) contra as obras da marginal do córrego Itanguá. Eles denunciam o impacto ambiental da construção, incluindo a morte de saguis que viviam na área de mata que está sendo desmatada para a obra. Segundo os moradores, desde o início da derrubada das árvores para a obra na Rua José Tótora, diversos saguis foram encontrados mortos. Um vídeo mostra os animais fugindo pela fiação elétrica do bairro.
Revolta dos moradores
"Eles só chegaram destruindo tudo, sem apresentar nenhum estudo. Então a gente ficou se perguntando se tinha que ser dessa maneira mesmo. Principalmente quando vimos os animais mortos, isso foi muito impactante", contou a moradora Vivian Anastácio à TV TEM. A obra em questão é o segundo trecho da marginal do córrego Itanguá. O projeto prevê a criação de uma nova via que vai conectar a Avenida Dr. Luiz Mendes de Almeida à Avenida Santa Cruz e à Avenida Miguel Patrício de Morais, passando pela Rua José Tótora, na zona oeste da cidade.
Posição da prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Parcerias (Separ), afirmou que "não há confirmação de animais mortos devido às obras". A administração municipal também informou que o projeto possui licenciamento ambiental regular junto à Cetesb e que foram realizados levantamentos técnicos sobre a fauna local, com ações de mitigação em andamento.
Outra obra polêmica
As obras da Marginal Direita do Rio Sorocaba também foram alvo de polêmica nesta segunda-feira (18). Manifestantes voltaram ao local, impediram a instalação da placa de obra e movimentos ambientalistas entraram com uma ação na Justiça pedindo a suspensão imediata da construção, orçada em R$ 33,4 milhões. Durante a manhã, manifestantes penduraram faixas de protesto em tubos de concreto que serão usados na obra. O grupo também abordou funcionários de uma empresa que tentava instalar a placa oficial da construção e, ao pedirem a ordem de serviço, a equipe se retirou sem fixar a placa.
Paralisação e ação judicial
Apesar do anúncio do início dos trabalhos na quinta-feira (14), não havia movimentação de máquinas ou operários no local nesta segunda-feira. A rua, que deveria estar interditada, também não foi fechada e ainda tinha carros estacionados. Paralelamente ao protesto, o Núcleo de Estudos do Morro Ipanema (Neme) e o Movimento Justiça Climática protocolaram na Justiça um pedido de liminar para a suspensão imediata das obras. As entidades alegam que existem "possíveis inconsistências no laudo ambiental" que autorizou a construção e pedem a paralisação até que os pontos sejam esclarecidos.
Divisão de opiniões
A construção da Marginal Direita divide opiniões em Sorocaba. A prefeitura defende que a nova via, com 1,8 km de extensão, é necessária para melhorar a mobilidade urbana e reduzir o trânsito. Já os críticos apontam o alto custo (R$ 33,4 milhões) e, principalmente, o impacto ambiental, com a previsão de derrubada de uma grande área de mata nativa. A obra tem previsão de ser concluída em 18 meses.



