GDF anuncia projeto de R$ 8 milhões para recuperar mata ciliar do Rio Melchior
GDF anuncia R$ 8 mi para recuperar mata do Rio Melchior

O Governo do Distrito Federal (GDF) anunciou um projeto ambicioso para recuperar a vegetação nativa do Rio Melchior, um dos corpos d'água mais poluídos da capital federal. A iniciativa surge após uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa investigar a poluição no local. O edital, publicado pela Secretaria do Meio Ambiente, prevê investimentos de quase R$ 8 milhões para recompor a mata ciliar em áreas degradadas ao longo do curso do rio.

Detalhes do projeto de recuperação

De acordo com a engenheira ambiental da Secretaria do Meio Ambiente, Ilana Sarah, o projeto será executado em um período de quatro anos. “Nosso planejamento é que seja feito um plantio de 250 mil mudas de espécies nativas do cerrado. Nossa expectativa é que consigamos iniciar já em 2026”, afirmou. Além do reflorestamento, a iniciativa inclui a recuperação de nascentes e ações de educação ambiental nas regiões de Ceilândia, Samambaia e Sol Nascente.

Contexto da poluição histórica

O Rio Melchior, que corta as regiões administrativas de Ceilândia e Samambaia, deságua no Rio Descoberto, responsável por abastecer 60% da população do Distrito Federal. Toda a sujeira acumulada no afluente acaba comprometendo a qualidade da água que chega às torneiras dos brasilienses. O problema ambiental se agravou ao longo das décadas. O ativista ambiental Newton Vieira relembra que, na década de 1960, o rio era limpo e utilizado para lazer e irrigação. “Os moradores contam que pescavam, usavam esse rio como lazer e também como fonte para irrigar plantações. Eles consumiam dessa água”, disse.

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Atualmente, segundo Vieira, o Melchior recebe uma mistura pesada de poluição, incluindo esgoto tratado e não tratado, resíduos industriais, descarte irregular de lixo e até chorume do aterro sanitário. “A Adasa classifica essas águas como classe quatro, onde é totalmente proibido qualquer contato humano com essa água. É extremamente poluído. É um risco muito alto para a população. Inclusive, nós já encontramos várias pessoas de diferentes idades com vários problemas de saúde”, alertou o ambientalista.

CPI e responsabilização

O Rio Melchior foi tema de uma CPI na Câmara Legislativa do Distrito Federal no ano passado. O relatório final apontou falhas de fiscalização e responsabilizou órgãos públicos, como a Caesb, SLU e Adasa, além de empresas privadas, pelo agravamento da poluição. No entanto, os pedidos de indiciamento foram rejeitados pela maioria dos deputados da comissão.

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) informou que, entre 2022 e fevereiro deste ano, foram registradas 44 ações fiscais em áreas próximas ao rio. Desse total, 12 estão relacionadas diretamente ao despejo irregular de resíduos e efluentes. A expectativa é que o novo projeto de recuperação ajude a reverter o quadro crítico de degradação ambiental.

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