Estresse hídrico crônico atinge região PCJ com disponibilidade de apenas 50% da água necessária
As cidades localizadas nas bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, conhecidas como região PCJ, enfrentam uma situação de estresse hídrico crônico, conforme alertou Francisco Lahóz, Secretário Executivo do Consórcio PCJ. Esta associação, que reúne municípios e empresas, é responsável pela gestão dos recursos hídricos e do meio ambiente na área.
O estresse hídrico crônico ocorre quando a disponibilidade de água é insuficiente para atender plenamente às demandas da população, da indústria e da agricultura, especialmente durante períodos de seca prolongada. Na região PCJ, a disponibilidade hídrica pode cair para apenas 50% das necessidades totais em épocas de estiagem, exigindo um planejamento regional urgente para reservar água e cobrir o déficit.
Cenário crítico e pressões regionais
Segundo Lahóz, o cenário é agravado por um histórico de criticidade no abastecimento e pelo avanço de estiagens prolongadas, que costumam durar de abril a dezembro. Além disso, a região sofre com uma pressão demográfica e econômica crescente.
A região do PCJ já abriga quase 6,5 milhões de habitantes, sendo uma das que mais cresce no Brasil devido à sua atratividade econômica. Lahóz destaca que é o segundo parque industrial do país, com grande oferta de empregos, universidades e serviços de saúde pública, o que intensifica a demanda por água.
Soluções propostas para a segurança hídrica
Para enfrentar esse desafio, o especialista propõe ações contínuas e integradas, que vão desde a proteção de nascentes com florestas até a instalação de cisternas urbanas. Entre as medidas indicadas estão:
- Armazenamento de água da chuva com cisternas em residências, empresas e indústrias, o que pode retardar a necessidade de outras intervenções.
- Construção de grandes represas regionais e municipais para armazenar água durante o período chuvoso, reduzindo a dependência de cursos d’água e poços artesianos.
- Proteção de nascentes com florestas em pé e campanhas de sensibilização para o uso racional da água.
Um levantamento mostrou que cidades maiores, como Limeira e Piracicaba, ainda dependem fortemente de rios, destacando a urgência dessas soluções.
Limitações dos poços artesianos na região
Diferente de outras áreas que utilizam o Aquífero Guarani, o subsolo da região PCJ é considerado "pobre", com uma vazão média de poços artesianos de apenas três metros cúbicos por hora. Isso é suficiente para abastecer cerca de dez pessoas em um dia, segundo Lahóz.
Além disso, a recarga dos lençóis freáticos depende da infiltração da água da chuva, auxiliada por florestas, um processo que pode levar anos e é muitas vezes incompatível com a realidade das grandes cidades.
Em resumo, a região PCJ enfrenta um desafio hídrico significativo, exigindo planejamento e ações imediatas para garantir a segurança no abastecimento de água para sua população em crescimento.