USP desenvolve modelo de IA para prever Alzheimer a partir de exames clínicos do SUS
Um estudo inovador do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP) analisou padrões em exames clínicos para criar um modelo de inteligência artificial capaz de prever o risco de desenvolvimento do Alzheimer. A pesquisa, que processou quase 390 milhões de linhas de registros do DATASUS, representa um dos maiores levantamentos já realizados no Brasil na área da saúde.
Exames oftalmológicos e tomografias como indicadores precoces
O modelo desenvolvido pelos pesquisadores da USP utiliza dados de exames oftalmológicos e tomografias computadorizadas para identificar sinais sutis da doença antes que os sintomas clínicos se manifestem. Essa abordagem permite um diagnóstico mais precoce, o que pode retardar significativamente a progressão do Alzheimer e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Impacto na sustentabilidade do sistema de saúde
Segundo Jhonata Emerick, CEO da Datarisk e responsável pelo estudo, a iniciativa tem um impacto direto na sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro. "O diagnóstico precoce pode retardar a evolução da doença e reduzir gastos com cuidados de idosos", afirma Emerick. A preocupação com os custos é global, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimando que o mundo deve gastar cerca de 2,8 trilhões de dólares em 2050 apenas com assistência a pessoas idosas.
Dados massivos e eficiência da inteligência artificial
A pesquisa destacou a eficiência sobre-humana das IAs, que já demonstraram capacidade de prever o Alzheimer com mais de 80% de acurácia em alguns estudos internacionais. O uso de grandes volumes de dados do SUS, como os 390 milhões de registros processados, permite treinar algoritmos mais precisos e adaptados à realidade da população brasileira.
Perspectivas futuras e aplicações práticas
O desenvolvimento deste modelo abre caminho para:
- Implementação em unidades de saúde para triagem de pacientes de risco.
- Redução de custos hospitalares através de intervenções precoces.
- Melhoria nas políticas públicas de saúde voltadas para o envelhecimento populacional.
Com o envelhecimento da população brasileira, tecnologias como essa se tornam essenciais para garantir um sistema de saúde mais eficiente e sustentável no longo prazo.