Justiça de Minas determina paralisação imediata da Vale em Ouro Preto após rompimento estrutural
Justiça manda Vale parar operações em Ouro Preto após rompimento

Justiça de Minas Gerais determina paralisação imediata da Vale em Ouro Preto após rompimento estrutural

A Justiça de Minas Gerais emitiu uma decisão que ordena a paralisação imediata de todas as operações da Vale no Complexo Minerário de Fábrica, localizado em Ouro Preto, na Região Central do estado. A determinação judicial foi proferida na última sexta-feira, dia 6, atendendo a um pedido conjunto do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e do Estado de Minas Gerais.

O que motivou a ação judicial?

A medida decorre de uma ação civil pública apresentada após o rompimento de uma estrutura na Cava Área 18, ocorrido em 25 de janeiro. Segundo a decisão, as atividades da mineradora só poderão ser retomadas após a comprovação técnica da estabilidade e segurança de todas as estruturas do empreendimento. Até lá, estão autorizadas apenas ações indispensáveis para a mitigação de riscos e proteção ambiental.

O colapso da estrutura resultou no extravasamento de aproximadamente 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos. O material atingiu áreas operacionais da Vale, propriedades de terceiros e importantes cursos d'água da região, incluindo o córrego Água Santa e o Rio Maranhão, ambos integrantes da bacia do Rio Paraopeba.

Impactos ambientais e falhas apontadas

Conforme a ação judicial, o episódio foi agravado por falhas no sistema de drenagem e pelo uso inadequado da cava como reservatório hídrico e de rejeitos. O Ministério Público destacou que a Vale comunicou oficialmente o desastre ao Núcleo de Emergência Ambiental apenas mais de dez horas após o rompimento, o que, segundo os autores da ação, comprometeu a atuação imediata dos órgãos públicos responsáveis pela resposta à emergência ambiental.

Exigências judiciais para a Vale

A decisão estabelece uma série de obrigações para a empresa, com prazos rigorosos:

  • Apresentação de um Plano de Ações Emergenciais em até cinco dias, incluindo remoção de entulhos, desassoreamento e interrupção do fluxo de efluentes.
  • Entrega de um Plano Emergencial de Monitoramento da Qualidade da Água em até dez dias, a ser analisado pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).
  • Mapeamento imediato de todas as estruturas do complexo minerário, com relatório emergencial em cinco dias.
  • Fornecimento de água potável caso haja risco à saúde humana e monitoramento contínuo de estruturas próximas.

Consequências por descumprimento

O descumprimento das determinações judiciais poderá resultar em multa diária de R$ 100 mil, limitada inicialmente a R$ 10 milhões. No entanto, a Justiça não acolheu o pedido do Ministério Público e do Estado de Minas Gerais para o bloqueio cautelar de R$ 846,6 milhões.

Posicionamento da Vale

Em nota, a Vale informou que já suspendeu as operações em suas unidades de Ouro Preto e Congonhas, ressaltando que as barragens mantêm condições de estabilidade e segurança inalteradas. A empresa afirmou estar apurando as causas dos eventos, iniciou os trabalhos de remoção de sedimentos e desenvolve um plano de recuperação das áreas degradadas.

A ação civil pública e a decisão judicial estão disponíveis para consulta, reforçando a transparência exigida no caso.