Cuba bate recorde histórico de frio com 0°C em meio a crise econômica e tensões políticas
Cuba atinge 0°C, recorde histórico de frio em crise econômica

Cuba atinge marco histórico com temperatura de 0°C em meio a crise profunda

Na madrugada de terça-feira, 3 de fevereiro de 2025, Cuba registrou a temperatura mais baixa de sua história, ao atingir exatos 0°C. O fenômeno ocorreu na estação meteorológica de Indio Hatuey, localizada na província de Matanzas, superando o recorde anterior de 0,6°C, que datava de 1996. Esta foi a primeira vez que o país alcançou o ponto de congelamento, marcando um evento climático sem precedentes em sua trajetória meteorológica.

Impactos do frio extremo no território cubano e além

A onda de frio, provocada por uma massa de ar polar originária da América do Norte, trouxe consequências imediatas e visíveis. Geadas afetaram plantações agrícolas, potencialmente comprometendo safras em um momento já delicado para a economia local. O fenômeno se estendeu até regiões próximas, como a Flórida, nos Estados Unidos, onde o frio intenso causou a queda de iguanas das árvores, um evento incomum que chamou a atenção internacional.

Crise econômica e declínio do turismo agravam o cenário

Este recorde climático ocorre em um contexto de extrema fragilidade econômica para a ilha. O setor turístico, uma das principais fontes de renda de Cuba, sofreu uma queda acentuada em 2025, fechando o ano com apenas 1,8 milhão de visitantes. Este número está muito abaixo da meta oficial de 2,6 milhões, representando uma redução de 17,8% em comparação com 2024.

Os fatores que contribuíram para esse declínio incluem:

  • Apagões elétricos recorrentes
  • Escassez generalizada de produtos básicos
  • Falta crônica de combustível

Diante dessa situação, países como Canadá, Espanha e Reino Unido emitiram alertas para que viajantes redobrem as precauções ao visitar Cuba. A Argentina chegou a recomendar evitar deslocamentos para a ilha, citando especificamente as falhas nos serviços públicos e a insuficiência de suprimentos sanitários.

Tensões políticas internacionais e pressão dos Estados Unidos

A pressão política exercida pelos Estados Unidos tem agravado significativamente a crise interna cubana. Esta situação se intensificou após a paralisação do envio de petróleo venezuelano, decorrente da deposição de Nicolás Maduro. O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para impor tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba, classificando a ilha como uma ameaça excepcional à segurança nacional americana.

Embora Trump tenha declarado que existem negociações em curso e a possibilidade de um acordo, o governo cubano, por meio do vice-ministro Carlos Fernández de Cossio, negou a existência de um diálogo formal. As autoridades cubanas admitiram apenas trocas pontuais de mensagens, mantendo uma postura de cautela diante das alegações norte-americanas.

Respostas do governo cubano e perspectivas futuras

Diante do agravamento dos cortes elétricos e das longas filas em postos de gasolina, Havana acusa Washington de tentar asfixiar intencionalmente sua economia. O governo cubano reconhece abertamente que as pressões externas obrigarão o país a atravessar um período muito difícil. Para enfrentar esse desafio, afirma estar se preparando com planos de contingência detalhados, embora não tenha divulgado especificações públicas sobre essas medidas.

Enquanto isso, o México demonstrou intenção de enviar ajuda humanitária e petróleo à ilha, apesar das ameaças explícitas de Trump. O presidente norte-americano advertiu que o país vizinho deveria cessar esse fornecimento, classificando Cuba como uma nação fracassada. Este movimento mexicano representa um gesto de solidariedade regional em um momento de isolamento internacional crescente para a ilha caribenha.

A combinação de fatores climáticos extremos, crise econômica profunda e tensões geopolíticas cria um cenário complexo para Cuba em 2025. O recorde histórico de frio simboliza não apenas uma mudança meteorológica, mas também reflete as dificuldades multifacetadas que o país enfrenta, desde a agricultura até a diplomacia internacional.