Operação da Polícia Civil desarticula esquema milionário de tráfico de madeira ilegal em Cuiabá
Esquema de tráfico de madeira ilegal é desarticulado em Cuiabá

Operação policial desmantela esquema milionário de tráfico de madeira ilegal em Mato Grosso

Nesta quinta-feira, 5 de dezembro, a Polícia Civil deflagrou uma ação de grande porte em Cuiabá, capital de Mato Grosso, com o objetivo de desarticular um sofisticado esquema criminoso envolvendo crimes ambientais e lavagem de dinheiro. O alvo da operação foi um grupo familiar, cujas identidades não foram divulgadas pelas autoridades, que atuava no comércio ilegal de madeira, incluindo o tráfico de espécies de exploração proibida por lei.

Investigações revelam uso de empresas de fachada para transporte irregular

De acordo com informações da polícia, as investigações apontam que o grupo utilizava empresas aparentemente legais para transportar e comercializar madeira de forma totalmente irregular. O modus operandi incluía a emissão de documentação falsa e a manipulação de registros para burlar a fiscalização ambiental. Entre as espécies protegidas identificadas no esquema, destaca-se a castanheira (Bertholletia excelsa), cuja exploração é estritamente proibida no território nacional devido ao seu status de conservação.

O início das investigações remonta a novembro de 2024, quando um caminhão transportando madeira com documentação falsificada foi apreendido durante uma fiscalização de rotina. Na ocasião, os agentes constataram a presença de castanheira na carga, o que levantou suspeitas sobre a extensão das atividades ilegais. A partir desse episódio, as autoridades aprofundaram as apurações, descobrindo uma rede complexa de fraudes.

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Esquema envolvia guias florestais fraudulentas e créditos florestais artificiais

As investigações revelaram que as empresas mencionadas nos documentos apreendidos estavam registradas em endereços inexistentes, caracterizando-se como verdadeiras empresas de fachada. Além disso, essas entidades emitiam guias florestais para destinatários fictícios, criando um ciclo de aparência legal para atividades ilícitas. Outra prática identificada foi o transporte de espécies diferentes das declaradas nas guias, facilitando o comércio de madeiras protegidas.

Também foi constatada a movimentação artificial de créditos florestais entre empresas do mesmo grupo, uma manobra que visava mascarar a origem ilegal dos produtos e gerar lucros através de mecanismos de compensação ambiental fraudados. Esse aspecto do esquema demonstra um alto nível de organização e conhecimento das brechas legais.

Volume financeiro e impacto ambiental do crime são significativos

No total, a polícia identificou a movimentação de aproximadamente 13 mil metros cúbicos de produtos florestais entre os anos de 2023 e 2025, com um valor estimado em mais de R$ 6 milhões. A escala das operações ilegais é evidenciada pela emissão de 913 guias florestais fraudulentas, sendo que uma única pessoa aparecia como destinatária em 364 delas, indicando uma concentração suspeita de atividades.

As ordens judiciais que autorizaram a operação foram emitidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, com base em investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Meio Ambiente. As ações contaram com o apoio de várias instituições, incluindo a Delegacia de Combate à Corrupção, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) e o Ministério Público, demonstrando um esforço conjunto no combate a crimes ambientais e financeiros.

Esta operação representa um marco na luta contra o desmatamento ilegal e a lavagem de dinheiro no estado, destacando a importância da cooperação interinstitucional para enfrentar redes criminosas que exploram recursos naturais de forma predatória.

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