Furto de vírus na Unicamp: 24 cepas diferentes foram levadas de laboratório NB-3
Furto de vírus na Unicamp: 24 cepas foram levadas de laboratório

Furto de vírus na Unicamp mobiliza Polícia Federal e gera alerta científico

O furto de amostras biológicas de um laboratório de alto nível de biossegurança da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) continua mobilizando as investigações da Polícia Federal. De acordo com apurações do programa Fantástico, pelo menos 24 cepas diferentes de vírus foram retiradas sem autorização do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia, uma instalação classificada como NB-3 – o mais alto patamar de contenção laboratorial para agentes infecciosos no Brasil.

Suspeitos e vírus envolvidos

A investigação aponta como principais suspeitos a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller. Entre os vírus furtados estão cepas de:

  • Dengue
  • Chikungunya
  • Zika
  • Herpes
  • Epstein-Barr
  • Coronavírus humano
  • Vírus H1N1 e H3N2 (causadores da gripe tipo A)
  • 13 tipos de vírus que infectam animais

As amostras foram recuperadas em prédios da própria Unicamp, sem indícios de contaminação externa ou terrorismo biológico. A Polícia Federal descartou riscos à população e indicou que a motivação estaria relacionada a pesquisas internas do casal.

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Cronologia dos fatos e evidências

O desaparecimento das amostras foi notado inicialmente por uma pesquisadora em 13 de fevereiro de 2026. A Unicamp notificou a Polícia Federal em 16 de março, e o inquérito foi instaurado oficialmente em 20 de março. Registros de câmeras de segurança mostraram Michael Miller saindo do laboratório NB-3 com caixas em horários incomuns no final de fevereiro.

Após buscas da PF em sua residência no dia 21 de março, Soledad Miller retornou à Unicamp e descartou parte do material biológico dentro de um dos laboratórios, em uma tentativa de destruir evidências que caracteriza fraude processual.

Recuperação do material e situação processual

As amostras foram localizadas pela perícia em três locais distintos: na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e no Instituto de Biologia. Não foram encontradas amostras na residência do casal. Soledad Miller responde ao processo em liberdade provisória, sob condições que incluem pagamento de fiança e proibição de acessar os laboratórios envolvidos.

A professora é investigada por crimes como:

  1. Furto qualificado
  2. Fraude processual
  3. Perigo para a vida ou saúde de outrem
  4. Manutenção ou transporte irregular de organismos geneticamente modificados

Posicionamento da Unicamp

Em nota divulgada no domingo (29), a Unicamp classificou o episódio como "caso isolado" e afirmou que não há organismos geneticamente modificados entre os materiais subtraídos. A universidade destacou que, ao tomar conhecimento do fato, acionou imediatamente a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que possibilitou a rápida localização e apreensão dos materiais.

A instituição também informou que uma sindicância interna foi instaurada para averiguação do caso, paralelamente à investigação federal que apura a motivação e o possível envolvimento de diferentes pessoas físicas e jurídicas.

Defesa e andamento das investigações

Em sua única manifestação sobre o caso, a defesa de Soledad Miller afirma que não há materialidade na acusação e que a professora utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria. O marido da pesquisadora continua sendo investigado pelo furto do material biológico.

A Sociedade Brasileira de Virologia tem acompanhado a investigação e reforçado a confiança nos protocolos de segurança científica vigentes no país. As autoridades garantem que todas as amostras foram recuperadas e que não houve contaminação externa, mantendo a tranquilidade da comunidade acadêmica e da população em geral.

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