
Era para ser um dia de festa, mas a reabertura do Mercadão de Campinas deixou um gosto amargo na boca de quem trabalha lá. Depois de meses esperando pelas reformas — que custaram nada menos que R$ 3,5 milhões —, os permissionários se viram num verdadeiro sufoco para voltar a funcionar.
Imagine só: você recebe um comunicado dizendo que tem apenas 48 horas para remontar toda sua loja, reorganizar estoque e voltar a atender o público. Parece piada, mas foi exatamente o que aconteceu. "É humanamente impossível", desabafa um dos comerciantes, que preferiu não se identificar.
Problemas que vão além do prazo curto
E não para por aí. A infraestrutura — aquela que supostamente tinha sido reformada — está deixando muito a desejar. Segundo os permissionários, faltam coisas básicas: tomadas que não funcionam, problemas na rede elétrica e até mesmo questões de acessibilidade que não foram resolvidas.
"A gente fica pensando: gastaram milhões em quê?", questiona uma permissionária que trabalha no local há mais de vinte anos. Ela não esconde a frustração: "É sempre a mesma história — prometem o mundo, entregam quase nada".
O lado da prefeitura
Do outro lado, a Secretaria Municipal de Gestão e Governo tenta justificar a situação. Alegam que as intervenções eram "emergenciais" e que cumpriram o prazo estabelecido. Mas será que cumprir prazos é mais importante que fazer o trabalho direito?
Curiosamente, a prefeitura reconhece que "poderia ter havido uma comunicação mais eficiente". Hmm, você acha? Me parece um eufemismo digno de nota.
Um balanço entre urgência e qualidade
É inegável que o Mercadão precisava das reformas — e urgentemente. O prédio histórico, que é um verdadeiro símbolo da cidade, estava mesmo precisando de cuidados. Mas de que adianta fazer obras correndo se o resultado final deixa a desejar?
Os permissionários agora enfrentam um dilema: reclamar e arriscar mais atrasos ou aceitar as condições imperfeitas e tentar tocar o negócio. Enquanto isso, os campineiros esperam para voltar a frequentar um dos pontos mais tradicionais da cidade.
Resta saber se a prefeitura vai ouvir as queixas — ou se vai deixar os comerciantes à própria sorte. Afinal, um mercado não é feito apenas de paredes reformadas, mas das pessoas que trabalham nele todo dia.