Raro Muriqui-do-Sul, Maior Primata das Américas, É Avistado Pela Primeira Vez no Parque Estadual Cunhambebe no RJ
Raro muriqui-do-sul avistado no Parque Cunhambebe, RJ

Imagine a cena: no coração verde e exuberante da Serra da Bocaina, uma sombra graciosa e inesperada se move entre as copas das árvores. Não era um bugio, nem um macaco-prego. Era algo muito, muito mais especial. E, caramba, que notícia fantástica!

Pela primeira vez na história – repito, pela primeira vez –, o maior primata das Américas, o incrível muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), foi avistado e documentado dentro dos limites do Parque Estadual Cunhambebe, no estado do Rio de Janeiro. O registro, que é um verdadeiro tesouro para biólogos e conservacionistas, aconteceu no último dia 19 de agosto, mas a confirmação saiu agora.

Não foi por acaso, claro. A descoberta é fruto de um monitoramento de biodiversidade que é pura persistência. Uma equipe do próprio parque, com aquela paciência de jogador de xadrez, analisava as imagens de um dos muitos armadilhas fotográficas espalhadas pela unidade de conservação. Eis que, entre tantos vídeos de quatis e pacas, surge uma figura lendária. A comoção foi instantânea.

Um Gigante Gentil e Ameaçado

O muriqui não é um macaco qualquer. Pra começar, o bicho é enorme – pode chegar a 15 quilos e é conhecido pelo temperamento pacífico, quase hippie (eles raramente se envolvem em conflitos violentos). Mas a fama de 'gigante gentil' não impediu que a espécie chegasse à beira do abismo. A situação é crítica, viu?

Estamos falando de um animal criticamente em perigo de extinção, classificado assim pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). É o último degrau antes de sumir do mapa de vez. Ver um indivíduo assim, saudável e em um novo território, não é só sorte. É um alívio, um sinal de que talvez estejamos no caminho certo.

O que todo mundo quer saber é: de onde ele veio? Os especialistas têm um palpite forte. A aposta é que este aventureiro solitário tenha migrado do Parque Nacional da Serra da Bocaina, que fica ali do ladinho, já no estado de São Paulo. É uma viagem e tanto, que demonstra uma coisa linda: a conexão entre os fragmentos florestais ainda é possível. Isso é vital para a troca genética e a sobrevivência de espécies a longo prazo.

Mais que uma Foto, um Símbolo de Esperança

O direção do parque não escondeu a empolgação. Em declaração, ele praticamente vibrou: "É a comprovação de que o trabalho de conservação que a gente desenvolve aqui está dando certo". E não é exagero. Um bicho desse tamanho e tão raro não aparece onde o ambiente está degradado. Sua presença é um atestado de qualidade ambiental de primeira.

O Parque Cunhambebe, que protege nada menos que 38 mil hectares de Mata Atlântica nos municípios de Angra dos Reis, Mangaratiba e Rio Claro, agora ganha um status ainda mais importante no tabuleiro da conservação nacional. Quem diria, hein? O RJ dando um show nessa área.

O próximo passo, claro, é descobrir se é um macho jovem à procura de uma namorada ou se há mais indivíduos por ali. Se for uma fêmea, aí a festa é completa. Mas só de saber que ele está lá, perambulando livre, já aquece o coração. É um lembrete poderoso de que vale a pena proteger cada centímetro do que nos resta de floresta. Cada árvore em pé é uma possibilidade de vida.