Mais de 1,2 mil animais da fauna brasileira estão ameaçados de extinção, alerta ICMBio
ICMBio alerta: mais de 1,2 mil animais ameaçados no Brasil

ICMBio alerta: mais de 1,2 mil animais da fauna brasileira estão ameaçados de extinção

Um novo relatório divulgado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apresenta um panorama atualizado e alarmante sobre a fauna no Brasil. De acordo com o documento, 1.264 espécies estão ameaçadas de extinção no país, o que representa 8,46% do total de 14.947 espécies avaliadas. Entre esses animais, dez já são considerados extintos, regionalmente extintos ou extintos apenas na natureza, destacando a urgência de ações de conservação.

Mudança no processo de avaliação e lacunas na proteção

O ICMBio anunciou que, a partir de agora, o processo de avaliação passará a ser contínuo, permitindo revisões mais rápidas sempre que surgirem novos dados científicos ou mudanças ambientais drásticas. “A adoção da avaliação contínua tem o objetivo de gerenciar e direcionar melhor os esforços da equipe para as espécies em categorias de risco de extinção”, afirma Arthur Jorge Brant Caldas Pereira, coordenador do ICMBio. Ele ressalta que os animais em situação de maior vulnerabilidade terão prioridade nas reavaliações.

Atualmente, o monitoramento é feito pelo sistema SALVE (Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade). Embora o Brasil tenha avançado no mapeamento, o relatório evidencia lacunas nas estratégias de proteção. Das espécies ameaçadas identificadas, 74% fazem parte de Planos de Ação Nacional (PANs), ferramentas que orientam a conservação. No entanto, 331 espécies em perigo ainda não estão incluídas em nenhum plano oficial de salvaguarda. Além disso, 34% dos animais em risco vivem fora de Unidades de Conservação, aumentando sua exposição a ameaças.

Pressão humana e biomas em risco

O relatório aponta que a biodiversidade brasileira sofre uma pressão crescente causada por atividades humanas. Os principais fatores de ameaça listados são:

  • Expansão agrícola e pecuária;
  • Urbanização e poluição;
  • Mineração;
  • Mudanças climáticas;
  • Caça e captura de animais.

A Mata Atlântica lidera o ranking negativo com 661 espécies em risco, seguida pelo Cerrado, com 339. O impacto é ainda mais preocupante quando se observa que 79% dos animais ameaçados são endêmicos, ou seja, só existem no Brasil e em nenhum outro lugar do planeta, tornando sua perda irreversível em escala global.

Números detalhados do relatório

Confira abaixo um resumo dos números apresentados no relatório, que reúne análises de dois ciclos nacionais realizados entre 2009 e 2023, seguindo critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN):

  1. 14.947 espécies analisadas;
  2. 11.823 espécies reavaliadas (79% das avaliadas), permitindo acompanhar a evolução do risco ao longo do tempo;
  3. 1.264 espécies consideradas ameaçadas de extinção ou já extintas;
  4. 79% das espécies ameaçadas são endêmicas (existem apenas no Brasil);
  5. 426 espécies ameaçadas (34%) não estão dentro de unidades de conservação;
  6. 153 espécies não têm Plano de Ação Nacional de Conservação (PAN);
  7. 3.124 novas espécies foram incluídas no relatório, sendo 1.081 recém-descritas pela ciência;
  8. Biomas com mais espécies em risco: Mata Atlântica (661) e Cerrado (339).

O Brasil, que abriga uma das maiores biodiversidades do mundo com mais de 125 mil espécies registradas, enfrenta um desafio crítico para preservar sua riqueza natural. Os resultados detalhados do mapeamento podem ser consultados diretamente no site do SALVE/ICMBio, oferecendo uma base para políticas públicas e iniciativas de conservação.