Homem é multado por crime ambiental após assustar guarás com barco no Maranhão
Multa por crime ambiental após assustar guarás com barco no MA

Homem é multado por crime ambiental após assustar guarás com barco no Maranhão

Um homem foi autuado por crime ambiental pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) após utilizar um barco para fazer barulho na tentativa de provocar uma revoada de guarás durante um passeio na Ilha dos Guarás, próximo ao município de Araioses, no Maranhão. A área está localizada dentro da Reserva Extrativista do Delta do Parnaíba, uma região de proteção ambiental de extrema importância para a biodiversidade brasileira.

A situação foi registrada e amplamente divulgada nas redes sociais, o que, conforme a legislação ambiental, pode agravar as penalidades aplicadas. Provocar revoadas de aves é considerado crime ambiental no Brasil, com multa mínima estabelecida em R$ 3 mil e possibilidade de detenção para os infratores.

Legislação e penalidades

Adriano Damato, analista ambiental do ICMBio, explicou detalhadamente as bases legais da autuação: "É um crime previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais e no artigo 29 da legislação de infrações administrativas ambientais, com as devidas punições para quem o pratica. Fica o exemplo e a lição para que não se incomode a fauna. Observe de longe e contemple a beleza da natureza sem perturbar os animais".

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O homem identificado como Marcos Coutinho, que passava de barco e espantou o grupo de guarás, foi formalmente autuado e, posteriormente, pediu desculpas públicas pela atitude. "Eu não sabia que estava cometendo um crime, por isso estou pedindo desculpas a todos, inclusive à equipe do ICMBio. Fui estudar a legislação da fauna brasileira e vi que é crime importunar os animais", destacou Coutinho em seu depoimento.

Orientações para observação responsável

Embora não exista uma distância mínima regulamentada para observação das aves, biólogos e órgãos de proteção ambiental recomendam fortemente:

  • Manter uma distância segura dos animais
  • Reduzir a velocidade das embarcações nas proximidades
  • Evitar ruídos excessivos, como barulho de motores ou gritos
  • Não utilizar drones durante as revoadas
  • Não perseguir os animais para fazer fotos ou vídeos

Os guarás, de nome científico Eudocimus ruber, não são aves migratórias, mas realizam deslocamentos em voos por áreas de manguezais onde vivem. Segundo especialistas, essas aves fazem paradas estratégicas para descanso, e a interrupção desse momento interfere significativamente no comportamento natural do animal silvestre.

Impacto ambiental e importância ecológica

José Maria dos Reis, biólogo especializado, explicou que os horários mais sensíveis para as aves são o início da manhã e o fim da tarde. "O local que eles escolhem não é aleatório. Ali há toda uma dinâmica que faz com que eles fiquem protegidos da incidência de vento e da presença de predadores. Tudo isso é escolhido, não ocorre de forma aleatória".

Os guarás se alimentam principalmente de crustáceos, o que é responsável por sua característica coloração avermelhada. Do ponto de vista ecológico, a espécie desempenha um papel crucial no controle populacional de animais menores que habitam os manguezais. Preservar essas aves contribui diretamente para manter o equilíbrio ambiental em uma das áreas costeiras mais importantes e biodiversas do planeta.

A recomendação final dos especialistas é que visitantes cheguem antes das revoadas para observar o fenômeno natural sem causar qualquer prejuízo aos animais, respeitando seu espaço e comportamento natural.

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