Criminosos filmam maquinários destruídos após operação recorde do Ibama em Sararé
Uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estabeleceu um novo recorde ao destruir mais de 40 maquinários em um único dia, no domingo (1º), no garimpo ilegal da Terra Indígena Sararé, localizada em Pontes e Lacerda, a 483 quilômetros de Cuiabá, capital de Mato Grosso. Os dados são de um balanço preliminar do Ibama ao qual o g1 teve acesso, sendo que o relatório final ainda está em andamento.
Recorde histórico de destruição de equipamentos
O último recorde diário havia sido registrado no primeiro dia de operação para expulsar os garimpeiros da região, no ano passado, quando foram destruídos 24 equipamentos em um único dia. A região de Sararé é uma das mais devastadas na Amazônia Legal, e as forças de segurança mantêm uma operação permanente para expulsar os invasores. A partir de 2024, o território foi dominado pela organização criminosa Comando Vermelho, segundo informações da polícia.
Durante a ação, as forças de segurança ainda entraram em confronto com um grupo criminoso, que abandonou o local com a chegada da equipe. Curiosamente, os próprios criminosos fizeram imagens dos equipamentos destruídos depois da operação, documentando a extensão dos danos causados pelas autoridades.
Operações integradas e contexto criminal
Por ser próxima da fronteira com a Bolívia, a região se tornou uma das rotas mais utilizadas para o tráfico de drogas, conforme apontado pela Polícia Civil. A partir de 2022, grupos criminosos começaram a se infiltrar na área e, em 2024, passaram a atuar diretamente no garimpo ilegal. Parte desses criminosos são investigados pela destruição provocada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
Paralelamente, uma operação integrada entre as forças de segurança foi deflagrada em 1º de agosto do ano passado e já destruiu 150 escavadeiras hidráulicas, causando um prejuízo estimado em mais de R$ 226 milhões ao garimpo ilegal na região, segundo dados do Ministério dos Povos Indígenas.
Coordenação e devastação ambiental
A operação é coordenada pelo Ibama em parceria com diversas instituições, incluindo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Força Nacional, Gefron, Polícia Civil e Polícia Militar de Mato Grosso e Goiás. A ação cumpre uma determinação da Justiça Federal para expulsar os garimpeiros ilegais, em um processo conhecido como desintrusão, que não tem prazo definido para encerramento.
Dos 67 mil hectares da Terra Indígena Sararé, mais de três mil já foram devastados pela exploração ilegal de ouro. Os agentes suspeitam que há cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas atuando dentro do território indígena, o que frequentemente gera conflitos armados.
Impacto das operações e números alarmantes
Em quase dois meses de operação, já foram destruídas na área mais de 160 escavadeiras, centenas de motores e diversas estruturas de suporte logístico para atividades ilegais. Desde 2023, mais de 460 escavadeiras já foram neutralizadas durante ações de fiscalização em Sararé, demonstrando a escala do problema e os esforços contínuos para combatê-lo.
Apenas do Grupo Especial, foram deflagradas seis operações nos últimos oito meses, reforçando o compromisso das autoridades em proteger o meio ambiente e os direitos dos povos indígenas. A situação em Sararé continua sendo um desafio significativo para a segurança pública e a preservação ambiental na Amazônia.
