Fiscalização apreende 135 animais silvestres transportados ilegalmente em embarcação no Pará
135 animais silvestres apreendidos em embarcação no Pará

Operação apreende 135 animais silvestres em embarcação no oeste do Pará

Uma ação de fiscalização realizada na tarde desta quinta-feira (12) resultou na apreensão de 135 animais silvestres que estavam sendo transportados de forma irregular em uma embarcação no estado do Pará. A operação, conduzida por agentes da base da Polícia Militar com apoio de órgãos ambientais, ocorreu por volta das 13h50 na embarcação F/B Samarino II e revelou uma situação grave de possível tráfico de fauna.

Documentação irregular e animais escondidos

Durante a abordagem inicial, os fiscais identificaram que a embarcação transportava legalmente 11 animais – incluindo 10 primatas de diferentes espécies e um gato mourisco (jaguarandi) – com documentação para transporte interestadual entre Amazonas e Pará. Esses animais eram originários do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama e tinham como destino o Centro Amazônico de Espertologia.

No entanto, uma revista mais detalhada no camarote do passageiro revelou uma situação completamente diferente: foram encontrados 130 quelônios (sendo 100 filhotes e 30 adultos), duas cobras e três filhotes de jacaré, todos sem qualquer documentação para transporte. A descoberta elevou o total de animais apreendidos para 135 espécimes silvestres.

Indícios de maus-tratos e inconsistências documentais

Segundo o relato da ocorrência, os animais estavam acondicionados de forma completamente irregular, apresentando indícios claros de possíveis maus-tratos. Além disso, os espécimes irregulares estavam sendo transportados juntamente com os animais que possuíam autorização legal, configurando uma grave infração ambiental.

Um agente do Ibama responsável pelo Cetas no Amazonas foi contatado durante a operação e informou que desconhecia completamente a existência dos animais encontrados além daqueles que constavam na documentação apresentada. O profissional orientou a adoção imediata de todas as medidas cabíveis para o caso.

Análise técnica revela mais irregularidades

Um fiscal ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que participou da operação confirmou que a documentação apresentada não correspondia aos animais apreendidos. Segundo sua análise técnica, houve divergências significativas entre as espécies e quantidades descritas nos documentos e os animais efetivamente encontrados.

O fiscal apontou ainda uma inconsistência grave quanto ao tipo de pesquisa indicado no termo de autorização. O documento deveria constar como pesquisa ex-situ (fora do habitat natural), mas estava registrado como in-situ (no habitat natural), indicando possíveis fraudes na documentação apresentada.

Destinação dos animais e encaminhamentos legais

Como a base da Batalhão de Polícia Ambiental (BIF) Candiru não dispõe de local adequado para acolhimento de fauna silvestre, todos os 135 animais apreendidos foram encaminhados para a cidade de Santarém, no oeste do Pará. O transporte contou com o acompanhamento de dois militares e o apoio logístico do ICMBio.

Os animais foram levados ao Zoounama, onde receberão cuidados médico-veterinários especializados. Eles permanecerão no local até que seja realizada a eventual regularização junto ao Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (Sisbio/ICMBio), órgão responsável pela gestão do uso da biodiversidade brasileira.

O caso já foi formalmente apresentado na Delegacia de Polícia Civil de Santarém, que deverá adotar todas as providências cabíveis para apurar responsabilidades e aplicar as sanções previstas em lei. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos na tentativa de transporte irregular dos animais silvestres.