El Niño em 2026: Santa Catarina se prepara para chuvas intensas e eventos extremos
O fenômeno climático El Niño está previsto para o segundo semestre de 2026 em Santa Catarina, trazendo preocupação com o aumento significativo das chuvas no Sul do Brasil. As consequências podem incluir impactos extremos relacionados a enxurradas, inundações e deslizamentos de terra, além de chances elevadas de tempestades severas que podem afetar tanto áreas urbanas quanto rurais do estado.
Probabilidade e período de ocorrência
De acordo com o Climate Prediction Center, órgão meteorológico dos Estados Unidos, a probabilidade de o El Niño começar entre julho e agosto de 2026 é de 80%. O fenômeno tende a continuar ao longo da primavera e verão, com 25% de chance de se configurar com intensidade muito forte. Essas previsões são sustentadas pelo rápido aquecimento das águas do Pacífico Equatorial observado nos últimos meses.
O El Niño consiste em um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador. Essa alteração modifica a circulação da atmosfera e muda o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo, podendo se estender por vários meses.
Impactos esperados para Santa Catarina
A proximidade do fenômeno já mobiliza a Defesa Civil e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) sobre os riscos para a população e a produção agrícola e pecuária. Entre as possibilidades do que pode ocorrer em Santa Catarina por causa do El Niño estão:
- Chuva intensa e volumosa;
- Aumento de impactos relacionados a enxurradas, inundações e deslizamentos;
- Probabilidade elevada de tempestades severas, acompanhadas de vendaval e granizo;
- Aumento de chance de fenômenos como microexplosões e tornados;
- Mais calor.
Essas situações estão previstas principalmente para a primavera, entre setembro e dezembro. A Epagri ressaltou, contudo, que embora o El Niño contribua para a intensificação das chuvas no estado, ele não é, isoladamente, o único responsável pela ocorrência de eventos extremos. Em geral, eles resultam da atuação combinada de diferentes fenômenos climáticos.
Estratégias de enfrentamento e preparação
Diante do cenário, a Defesa Civil e Epagri/Ciram desenvolvem ações de prevenção, mitigação e preparação. Estão previstas as seguintes medidas:
- Monitoramento intensificado das condições climáticas;
- Encontros entre meteorologistas para discutir os impactos do El Niño;
- Planejamento da Operação Primavera 2026 - ações preventivas entre 1º de junho e 21 de setembro, antes da chegada da primavera;
- Ações na agricultura - recomendações direcionadas ao setor agropecuário;
- Articulação interinstitucional - diálogo permanente entre instituições;
- Comunicação à população sobre riscos e medidas de segurança.
Em relação à Operação Primavera, a Epagri explicou que se trata de capacitações, limpeza de rios e sistemas de drenagem, manejo de árvores e instalação de kits ponte — com foco nas áreas classificadas com risco médio, alto e muito alto para alagamentos, inundações e movimentos de massa. A ideia é haver diálogo constante entre instituições como a Epagri/Ciram, Associação Catarinense de Meteorologia, universidades e demais centros operacionais nacionais.
Histórico do El Niño em Santa Catarina
Os episódios mais marcantes de El Niño que impactaram Santa Catarina ocorreram em 1982/1983, 1997/1998, 2015/2016 e, mais recentemente, em 2023/2024. Este último foi responsável por inundações em diversas regiões do estado, com destaque para o Vale do Itajaí, onde as inundações generalizadas afetaram milhares de pessoas e provocaram prejuízos socioeconômicos significativos.
Apesar do sinal evidente da atuação do fenômeno a partir do segundo semestre de 2026, ainda há incertezas quanto à sua intensidade e duração, conforme a Epagri/Ciram, órgão que monitora as condições climáticas no estado. As autoridades continuam vigilantes e preparadas para minimizar os impactos potenciais deste fenômeno climático que tanto afeta a vida dos catarinenses.



