O Oceano Pacífico está emitindo sinais incomuns de aquecimento fora do padrão, de acordo com dados dos principais órgãos de monitoramento climático, como o Copernicus (europeu) e o NOAA (americano). No início do ano, pesquisadores identificaram um padrão raro de aquecimento simultâneo em três regiões distantes — próximo à Indonésia, na costa da América Central e ao longo da América do Sul. Essas manchas formam um “anel” de calor ao redor de uma área central mais fria, configuração que passou a ser chamada de El Niño anular, um fenômeno pouco observado nas últimas décadas e que pode indicar uma reorganização atípica do sistema climático do Pacífico.
Esse padrão difere do El Niño tradicional, no qual o aquecimento se concentra sobretudo na faixa central e leste do oceano. No caso anular, a distribuição do calor sugere mudanças mais complexas na circulação atmosférica, o que aumenta a incerteza sobre sua evolução — mas também levanta o alerta para a possibilidade de um evento de grande intensidade, potencialmente um super El Niño. Segundo as agências, o fenômeno tem potencial de ser um dos mais fortes dos últimos 40 anos. No entanto, há possibilidade de o fenômeno anular não significar super aquecimento e, sim, ser mais caótico e com menor probabilidade de previsão.
Por exemplo, em vez de intensificar o calor global, essa configuração pode redistribuir os impactos, deslocando áreas de chuva e seca, tornando eventos extremos mais intermitentes e alterando o comportamento dos sistemas atmosféricos. Na prática, isso tende a embaralhar os efeitos, reduzindo as chances de antecipar as regiões afetadas, o que pode aumentar os impactos. Se confirmado, os impactos tendem a ser globais e desiguais. No Brasil, o Sul pode enfrentar chuvas acima da média, com risco de enchentes, enquanto Norte e Nordeste tendem a registrar calor mais intenso e períodos de seca. A Amazônia ficaria mais vulnerável a queimadas. Em outras regiões do mundo, como Indonésia e Austrália, há maior probabilidade de estiagens severas, enquanto partes das Américas podem registrar tempestades mais intensas.
Além disso, um El Niño forte costuma elevar a temperatura média global, intensificando os efeitos das mudanças climáticas e aumentando a frequência de eventos extremos. Diante de um padrão ainda pouco compreendido, a principal expectativa dos cientistas é de um ano marcado por maior instabilidade climática — e pela necessidade de monitoramento constante para antecipar seus impactos.



