A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) anunciou a continuidade do seu ambicioso programa de desenvolvimento de nanossatélites, que utiliza tecnologia 100% maranhense. Esta iniciativa ganha novo fôlego após os bem-sucedidos lançamentos dos satélites Jussara K e Aldebaran I, realizados em 2025, e já projeta novas missões para o ano de 2026.
Novos projetos em desenvolvimento
Entre as próximas etapas do programa, destacam-se os projetos Aldebaran II e Sirius Sat. O Aldebaran II representa um avanço significativo, pois terá todos os seus sistemas desenvolvidos integralmente no Maranhão. Isso inclui soluções exclusivas concebidas pela própria equipe do projeto, abrangendo desde os sistemas de energia até os de comunicação, consolidando a autonomia tecnológica regional.
Sirius Sat: um nanossatélite compacto e potente
O Sirius Sat, batizado em homenagem à equipe permanente de satélites da universidade, será um modelo Pocket Cube com dimensões reduzidas de apenas 5 cm x 5 cm, composto por três camadas. Apesar do tamanho compacto, ele será capaz de realizar as mesmas missões previstas para o Jussara K, incluindo comunicação via LoRa, demonstrando a eficiência e a inovação embutidas nestes pequenos dispositivos espaciais.
Contexto dos lançamentos anteriores
O satélite Jussara K, projetado e desenvolvido pela UFMA, foi integrado a um voo comercial do foguete sul-coreano HANBIT-Nano, que decolou a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado no Maranhão. Após reuniões com a empresa responsável pelo lançamento, a Innospace, foi estabelecido um plano de compensação que inclui a concessão de um novo slot de lançamento para a UFMA em uma futura missão.
A empresa prevê a realização de dois lançamentos experimentais prévios a partir de Alcântara, o que aumentou consideravelmente a confiabilidade do sistema. Atualmente, o sistema possui capacidade de atingir até 500 quilômetros de altitude, ampliando as possibilidades de pesquisa e coleta de dados.
Missão do Jussara K
O satélite Jussara K foi desenvolvido em parceria com startups e instituições nacionais, e seu nome faz referência ao açaí, um fruto tradicional do Maranhão e de estados do Norte. A missão principal consistia em coletar dados ambientais em regiões de difícil acesso, comunicando-se com plataformas terrestres de coleta de dados (PCDs) posicionadas estrategicamente na região de Alcântara.
O foguete HANBIT-Nano e o Centro de Lançamento de Alcântara
O foguete sul-coreano HANBIT-Nano, lançado em dezembro a partir do CLA, transportava cinco satélites e três experimentos desenvolvidos por entidades do Brasil e da Índia. Com 21,9 metros de altura, pesando 20 toneladas e com 1,4 metro de diâmetro, este veículo espacial poderia voar 30 vezes mais rápido que um avião comercial, equivalente ao peso de quatro elefantes africanos.
O Centro de Lançamento de Alcântara, construído na década de 1980, foi escolhido para sediar um centro espacial que atendesse aos requisitos técnicos e logísticos do Programa Espacial Brasileiro. Sua localização próxima à linha equatorial oferece vantagens significativas, como menor consumo de combustível e custos operacionais reduzidos, devido à maior velocidade de rotação da superfície terrestre nesta região.
Vantagens estratégicas do CLA
Além da proximidade com a linha do Equador, o CLA beneficia-se de uma baixa densidade de tráfego aéreo na região e de um amplo leque de inclinações orbitais para os lançamentos. Estas características tornam o local ideal para a realização de missões espaciais, contribuindo para o fortalecimento da indústria aeroespacial brasileira e para o desenvolvimento tecnológico do Maranhão.