Rastro Luminoso no Céu do Amazonas é Identificado como Lixo Espacial por Pesquisador
Rastro luminoso no Amazonas é identificado como lixo espacial

Fenômeno Luminoso no Céu do Amazonas é Provavelmente Lixo Espacial, Revela Pesquisador

Um intrigante rastro luminoso cruzou o céu noturno de Tabatinga, no interior do Amazonas, na noite de domingo (1º), por volta das 23 horas, despertando a curiosidade dos moradores e levando a uma investigação científica. O videomaker Lacruz registrou o evento, que durou aproximadamente 10 segundos, capturando inicialmente três faixas luminosas que gradualmente desapareciam ao atravessar a atmosfera.

Análise Científica Desmistifica o Fenômeno

O pós-doutor em Astrofísica Nélio Sasaki, do Centro de Astronomia da Universidade do Estado do Amazonas (NEPA/UEA-Parintins), analisou as imagens e esclareceu ao g1 que o objeto não apresentava as características típicas de um meteoro. "Meteoros são rochas que, ao entrarem na atmosfera, geram atrito com o ar e formam um rastro luminoso, conhecido popularmente como 'estrela cadente'. Quando o brilho é mais intenso, chamamos de bólido", explicou Sasaki.

Em contraste, o lixo espacial consiste em materiais colocados em órbita que deixaram de funcionar ou não foram recolhidos, como satélites desativados e fragmentos de colisões. Ao reentrarem na atmosfera, esses detritos também produzem brilho devido ao atrito, mas diferenciam-se pela velocidade. "Meteoros se deslocam com velocidade altíssima, enquanto o lixo espacial se move de forma mais lenta. No vídeo, o objeto levou cerca de seis segundos para cruzar o céu, indicando baixa velocidade", detalhou o pesquisador.

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Aumento de Satélites e Riscos Associados

Sasaki destacou que o aumento no lançamento de satélites, especialmente por empresas como a de Elon Musk, ampliou o acesso à internet na região amazônica, mas também elevou significativamente a quantidade de lixo espacial em órbita. "Desde que o céu amazonense foi coberto por esses satélites, tem-se gerado mais detritos. Para garantir cobertura de internet, muitos satélites foram colocados em órbita, o que aumenta a chance de fragmentos reentrarem na atmosfera", afirmou.

Apesar disso, o astrofísico tranquiliza a população, afirmando que não há motivo para pânico. A maioria dos meteoros e fragmentos de lixo espacial cai no oceano, e a probabilidade de atingir áreas habitadas é pequena, embora existente. Em casos raros de impacto no solo, a orientação é manter distância, pois podem abrir crateras.

Chuva de Meteoros e Observações no Amazonas

Embora o evento em Tabatinga não seja uma chuva de meteoros, Sasaki lembra que esse fenômeno ocorre diariamente, com cerca de 100 meteoros entrando na atmosfera terrestre todos os dias. Nesta semana, há previsão de pico de uma chuva de meteoros entre a noite de quinta-feira (5) e a madrugada de sexta-feira (6), quando a quantidade de meteoros visíveis no céu atinge seu ápice.

O interior do Amazonas, com sua baixa poluição luminosa, é um local privilegiado para observações celestes. Sasaki sugere que a sensação de raridade do fenômeno pode estar ligada ao fato de muitas pessoas não observarem o céu com frequência, destacando a importância da educação astronômica.

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