Professor do IFMA participa da descoberta de nova espécie de dinossauro no Saara
Professor do IFMA descobre nova espécie de dinossauro no Saara

Professor maranhense integra equipe que descobriu nova espécie de dinossauro no deserto do Saara

O professor Rafael Lindoso, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), campus Monte Castelo, em São Luís, participou ativamente da descoberta de uma nova espécie de dinossauro carnívoro no deserto do Saara, localizado no norte da África. Esta pesquisa de grande relevância científica reuniu 29 especialistas de diversos países, sendo Lindoso o único representante brasileiro no grupo internacional.

Publicação em revista científica de prestígio mundial

O estudo foi publicado na renomada revista Science, uma das publicações científicas mais importantes do planeta, e inclusive ocupou a capa da edição. Esta conquista marca a primeira vez que um pesquisador vinculado ao IFMA assina um trabalho nesta prestigiada publicação, representando um marco significativo para a instituição e para a ciência brasileira.

Contribuição brasileira para a paleontologia mundial

Os cientistas envolvidos na pesquisa são especialistas em paleontologia, anatomia comparada e análises evolutivas. O professor Lindoso contribuiu com dados fundamentais utilizados nas análises filogenéticas, que comparam características dos animais para identificar relações de parentesco ao longo da evolução. Sua contribuição específica incluiu informações detalhadas sobre os ossos de um dinossauro carnívoro encontrado no Maranhão, enriquecendo a base de comparação necessária para compreender a história evolutiva e a distribuição dos dinossauros do grupo Spinosaurus.

Características do Spinosaurus mirabilis

A nova espécie, batizada de Spinosaurus mirabilis, foi descoberta na região de Agadez, no Níger. O nome Spinosaurus significa "lagarto-espinho", referindo-se aos grandes espinhos dorsais que formavam uma estrutura semelhante a uma vela. Já mirabilis significa "admirável", descrevendo a crista em forma de cimitarra localizada no topo do crânio, acima dos olhos. Este animal viveu entre 100 e 95 milhões de anos atrás em uma área extremamente árida.

Discussões sobre adaptações aquáticas

Descobertas recentes sobre outro dinossauro do mesmo grupo, o Spinosaurus aegyptiacus, encontrado no Egito, transformaram o entendimento científico sobre esses animais. Anteriormente considerados estritamente terrestres, evidências apontam para adaptações ao ambiente aquático. Conforme explicou o professor Rafael Lindoso: "Até a chegada do Spinosaurus aos holofotes da ciência, esses animais eram considerados estritamente terrestres. No entanto, os avanços digitais incorporados à paleontologia nas últimas décadas transformaram profundamente a forma como estudamos esses animais".

Entre as características anatômicas que sugerem hábitos semiaquáticos estão:

  • Crânio comprido e estreito, similar ao de crocodilos
  • Dentes cônicos adequados para segurar presas escorregadias como peixes
  • Pequenos orifícios sensoriais na ponta do focinho para detectar vibrações na água
  • Ossos densos que facilitavam a imersão sem flutuação excessiva

Ambiente de descoberta e implicações científicas

O Spinosaurus mirabilis foi encontrado em uma antiga região de rios, situada entre 500 e 1.000 quilômetros da costa da época, indicando um ambiente de água doce distante do mar. Os fósseis estavam próximos a restos de grandes saurópodes, dinossauros de pescoço comprido que viviam exclusivamente em terra firme. Esta descoberta ajuda a esclarecer discussões científicas sobre os hábitos deste grupo de dinossauros.

Reconhecimento internacional e perspectivas futuras

O paleontólogo Paul Sereno, da Universidade de Chicago, convidou o professor Rafael Lindoso para co-assinar o estudo ainda em 2025, após uma expedição científica conjunta no interior do Maranhão. Lindoso destacou a importância desta conquista: "A publicação de um artigo em um periódico de alto impacto, como a revista Science, constitui um marco significativo na trajetória de um pesquisador; reflete um trabalho consistente, de liderança em seu campo. A taxa de aceite em uma revista desse porte consiste em menos de 7%. Espera-se que, com a visibilidade que o artigo trará, os investimentos comecem a aparecer".

Esta descoberta não apenas expande o conhecimento sobre a diversidade de dinossauros, mas também posiciona o Brasil e o Maranhão no cenário internacional da paleontologia, demonstrando a qualidade da pesquisa científica desenvolvida em instituições públicas brasileiras.