Professor de Presidente Prudente é 1º latino-americano a ganhar prêmio internacional de fotogrametria
Professor de Prudente é 1º latino-americano a ganhar prêmio de fotogrametria

Professor de Presidente Prudente é o primeiro latino-americano a vencer prêmio internacional de fotogrametria

O professor Antônio Maria Garcia Tommaselli, de 73 anos, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Unesp em Presidente Prudente (SP), tornou-se o primeiro latino-americano a receber o Prêmio Giuseppe Inghilleri 2026, uma das mais importantes distinções mundiais na área de fotogrametria. A informação foi confirmada pela própria universidade e pela Câmara Municipal de Presidente Prudente.

O que é fotogrametria?

A fotogrametria é a ciência que extrai informações tridimensionais a partir de fotografias. Utiliza imagens digitais para medir distâncias e criar modelos 2D ou 3D de objetos, sendo aplicada em levantamentos topográficos, mapeamento, arquitetura, engenharia, arqueologia e outras áreas.

O prêmio reconhece contribuições científicas relevantes no campo da cartografia e do sensoriamento remoto. A cerimônia de entrega ocorrerá em julho de 2026.

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Reação do professor

Tommaselli, que é descendente de italianos, expressou grande satisfação com a conquista. "Eu fiquei muito feliz, porque é um prêmio italiano e eu sou descendente de italianos. Tenho muitos contatos com colegas lá, projetos com o pessoal de Turim, e vários alunos nossos já estudaram lá. Ser o primeiro latino-americano é muito bacana", destacou.

Ele ressaltou que o prêmio não é apenas um mérito individual, mas o reconhecimento de um trabalho coletivo entre universidade, professores e alunos, construído ao longo de décadas.

Trajetória acadêmica

Natural de Piquerobi (SP), Tommaselli iniciou a graduação em Engenharia Cartográfica na Unesp de Presidente Prudente aos 16 anos, sem plena consciência da área. Após concluir o curso no início dos anos 1980, seguiu para o mestrado em Ciências Geodésicas na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o doutorado em Engenharia Elétrica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde se aproximou da visão computacional.

Realizou pós-doutorado na University College London, na Inglaterra, aprofundando-se em fotogrametria. De volta ao Brasil, consolidou sua carreira na Unesp de Presidente Prudente, participando da criação e fortalecimento da pós-graduação, orientando alunos e desenvolvendo projetos científicos com parcerias internacionais.

Aplicações e desafios atuais

Atualmente, Tommaselli coordena um projeto de agricultura digital, utilizando imagens de alta resolução de drones e sensores para análise de lavouras, visando aumentar a precisão e eficiência da produção. Ele destaca que a área exige constante atualização devido às rápidas mudanças tecnológicas, especialmente com a chegada da Inteligência Artificial.

"A tecnologia muda muito, então você tem que se adaptar e sempre estudar. De quando comecei até hoje, a tecnologia mudou absurdamente em termos de digitalização", afirmou.

O pesquisador também alerta para os riscos do uso irresponsável da IA, como a geração de dados errados ou "alucinações", mas acredita que, bem utilizada, a ferramenta pode acelerar a produção e facilitar muitas tarefas.

Novos sonhos e desafios

Mesmo com uma carreira consolidada, Tommaselli mantém planos para o futuro da área e da educação no Brasil. Ele defende a valorização dos professores do ensino básico, especialmente de matemática, e o fortalecimento das ciências exatas desde a base para formar novos profissionais.

"Eu queria, como um sonho meu, ver esse universo de professores ser mais valorizado. Essa é a minha perspectiva para a gente ter um país [de verdade]", finalizou.

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