Mapeamento 3D inédito de meteorito revela onde a água estava concentrada em Marte
Meteorito marciano revela segredos da água em Marte

Mapeamento 3D inédito de meteorito revela segredos da água em Marte

Uma pesquisa científica inovadora, conduzida por especialistas dinamarqueses, utilizou técnicas avançadas de tomografia para analisar um dos meteoritos marcianos mais antigos já descobertos na Terra. O estudo, publicado na plataforma de divulgação científica arXiv, combinou tomografias por raios X e nêutrons para examinar, sem necessidade de cortes, o interior da rocha espacial conhecida como Black Beauty.

Técnica não invasiva revela distribuição do hidrogênio

Até então, a presença de água nesse meteorito era inferida por meio de análises químicas realizadas em lâminas finas extraídas da amostra. Esse método tradicional exigia a remoção de fragmentos, trituração ou dissolução da rocha, o que impedia uma observação completa de sua estrutura interna. A nova abordagem permitiu que os pesquisadores detectassem diretamente, em três dimensões, onde o hidrogênio, componente essencial da água, está distribuído dentro do meteorito.

O exame revelou que uma parte significativa da água da crosta primitiva de Marte não estava dispersa de maneira uniforme, mas sim concentrada em minerais específicos. Esses minerais foram formados pelo contato químico entre a rocha e a água líquida, indicando que processos de hidratação foram comuns na história geológica do planeta.

O meteorito Black Beauty e sua importância

O objeto do estudo é o meteorito NWA 7034, apelidado de Black Beauty. Trata-se de um fragmento da crosta de Marte com aproximadamente 4,48 bilhões de anos, sendo um dos materiais marcianos mais antigos já examinados em laboratório. A rocha é composta por diferentes pedaços de terrenos marcianos antigos que se fundiram após impactos, preservando em seu interior registros geológicos valiosos da superfície primitiva do planeta.

Implicações para a compreensão de Marte

A descoberta sugere que a água líquida não apenas existiu na superfície marciana, mas também reagiu quimicamente com as rochas da crosta, deixando registros preservados dentro da estrutura mineral. Isso significa que parte da história da água em Marte não está apenas nas marcas visíveis da paisagem, mas guardada dentro das próprias rochas.

Um aspecto particularmente relevante é que esses mesmos tipos de minerais hidratados foram observados pelo rover Perseverance na cratera Jezero. O meteorito estudado, no entanto, veio de outra região de Marte. A semelhança entre os achados indica que esse processo de hidratação foi comum em diferentes partes do planeta, reforçando a hipótese de que Marte teve um passado mais úmido do que se imaginava.

Futuro das pesquisas com amostras marcianas

As amostras coletadas pelo Perseverance estão atualmente armazenadas em tubos de titânio. Enquanto os raios X têm dificuldade para atravessar esse material, os nêutrons não enfrentam o mesmo obstáculo. Isso significa que, quando essas amostras chegarem à Terra, será possível mapear a distribuição interna de água e minerais hidratados sem a necessidade de abrir os recipientes, preservando a integridade das amostras para análises futuras.

Essa técnica não invasiva representa um avanço significativo para a ciência planetária, permitindo uma compreensão mais detalhada da história geológica e da presença de água em Marte, com implicações para a busca por sinais de vida passada no planeta vermelho.