Estudo revela que cocaína em rios faz salmões nadarem distâncias maiores, alertando para riscos ambientais
Cocaína em rios faz salmões nadarem mais, diz estudo

Impacto da cocaína em salmões: estudo revela efeitos surpreendentes em habitats naturais

Uma pesquisa pioneira publicada na revista Current Biology demonstrou que salmões selvagens do Atlântico, quando expostos à cocaína e seu principal metabólito em águas poluídas, nadam distâncias significativamente maiores do que os peixes não contaminados. O estudo, conduzido por cientistas da Universidade Griffith, na Austrália, e da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, é o primeiro a analisar esses efeitos em ambientes naturais, superando as limitações de laboratórios controlados.

Metodologia e descobertas chave do experimento

Os pesquisadores capturaram 105 salmões no lago Vättern, na Suécia, e os dividiram em três grupos: um controle, um exposto à cocaína e outro ao metabólito benzoilecgonina, comum em esgotos. Após o tratamento, os movimentos dos peixes foram rastreados por uma semana. Os resultados foram alarmantes: os salmões sob influência do benzoilecgonina percorreram uma distância 1,9 vez maior e viajaram até 12,3 quilômetros a mais em comparação com os não expostos.

Marcus Michelangeli, co-autor do estudo, enfatizou a relevância dessas descobertas: "Onde os peixes vão determina o que eles comem, o que os come e como as populações são estruturadas. Se a poluição altera esses padrões, isso tem o potencial de afetar os ecossistemas de maneiras que estamos apenas começando a entender."

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Crescente poluição aquática por substâncias farmacêuticas

A cocaína e seus derivados estão sendo detectados com frequência crescente em rios e lagos globais, principalmente através de sistemas de esgoto inadequados. Michelangeli alertou: "Estamos encontrando em nossos rios concentrações cada vez maiores não apenas de drogas ilícitas, mas de todo tipo de produtos farmacêuticos." Com quase 25 milhões de usuários de cocaína em 2023, segundo a ONU, a contaminação representa um risco ampliado para a biodiversidade.

Curiosamente, o metabólito benzoilecgonina mostrou um efeito mais forte no movimento dos peixes do que a cocaína em si, uma descoberta que pode reorientar futuras avaliações de risco ambiental, que tradicionalmente focam no composto original.

Implicações ambientais e segurança para consumo humano

Os pesquisadores ressaltam que não há riscos para pessoas que consomem esses peixes, pois os níveis de exposição refletem aqueles encontrados em águas poluídas onde os compostos se degradam naturalmente. No entanto, o estudo evidencia a urgência de melhorar o tratamento e monitoramento de esgotos.

Michael Bertram, professor da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, concluiu: "Nosso estudo indica que as drogas não são apenas uma questão social, mas também um desafio ambiental." Pesquisas futuras buscarão entender a extensão desses efeitos em outras espécies e seus impactos na sobrevivência e reprodução da vida aquática.

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