Arqueólogos estão desenterrando uma parte significativa da história do Brasil Imperial em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A antiga Vila de Iguassú, que um dia foi um movimentado porto e ponto de passagem para quem seguia para o Rio de Janeiro, está sendo redescoberta por meio de escavações minuciosas.
Uma viagem no tempo através dos cacos
Em cada fragmento de louça, um pedaço do passado. A equipe de arqueólogos, liderada por Diogo Borges e Cleide Trindade, já recuperou cerca de 100 mil objetos ou fragmentos desde o início da pesquisa, há três anos. “Duzentos anos depois e isso é uma alegria”, comemora Borges ao encontrar um objeto perdido no século XIX.
Os moradores locais, como Allan Ferreira de Lucena, que autorizou as escavações em seu terreno, sempre souberam da riqueza histórica soterrada. “A gente ia cavar para botar um mourão, às vezes achava um objeto. Meu pai sempre fez questão de que nós zelássemos por isso”, conta Lucena.
O esplendor e o declínio da Vila de Iguassú
No século XIX, a vila era tão importante que recebeu a visita do imperador. Localizada em uma rota estratégica entre a estrada e o rio, funcionava como uma via expressa para o transporte de café até a capital do Império. Enquanto outros caminhos terrestres levavam de 60 a 90 dias, por ali a viagem durava apenas 15 dias.
No entanto, com a chegada das ferrovias, o café passou a ser transportado por trem, e Iguassú Velha foi abandonada. A cidade se mudou para perto da estação, a cerca de 15 quilômetros dali, e a antiga vila caiu no esquecimento.
Relíquias que contam histórias
Entre os achados, destacam-se potes de louça que continham pasta de dente vindos diretamente de Paris e um botão com o símbolo do imperador, considerado a joia da coroa. As peças são montadas pacientemente, caco por caco, revelando o padrão de consumo da época. “Em Vila de Iguassú, a gente tem uma sociedade que se estrutura e que tem o mesmo padrão de consumo dos outros centros”, explica a arqueóloga Cleide Trindade.
Um museu para preservar a memória
Em abril, a cidade de Nova Iguaçu inaugurou um museu para expor as relíquias encontradas. Apesar de alguns pedaços ainda estarem faltando, a equipe continua determinada a desenterrar cada vestígio da cidade escondida debaixo das pastagens.
A descoberta não apenas resgata a história do Brasil Imperial, mas também fortalece a identidade dos moradores de Nova Iguaçu, que agora podem se orgulhar de um passado glorioso que estava adormecido sob seus pés.



