A Prefeitura de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, aplicou uma camada de pedras na Rua Nossa Senhora das Graças com a intenção de melhorar a circulação de moradores e pedestres. No entanto, a medida gerou efeito contrário. A via, que já era conhecida por sua inclinação extrema e por viralizar nas redes sociais como um 'paredão', tornou-se ainda mais desafiadora para quem precisa transitar por ali.
Problemas após a colocação das pedras
De acordo com relatos de moradores, as pedras colocadas pela prefeitura dificultaram ainda mais o acesso. Carros foram flagrados derrapando na via, e pedestres enfrentam risco de queda. Maria Rosa Izidorio da Silva, que vive há 30 anos na região, desabafa: 'É perigoso e é um sacrifício. A gente sofre. Em dia de chuva, para sair, para pegar ônibus, para ir trabalhar. É sofrido'. Ela conta que muitos motoristas e motociclistas evitam passar pelo local, mas alguns se arriscam, resultando em acidentes frequentes.
Histórico da via
Segundo a prefeitura, a rua faz parte de um loteamento aprovado em 1953 e, mesmo após 73 anos, nunca foi pavimentada nem recebeu calçada. Antes da colocação das pedras, havia uma pequena camada de asfalto no topo da via, com sinalização horizontal de 'pare'. Com a intervenção, tanto o asfalto quanto a sinalização foram cobertos. A prefeitura explica que o asfalto existia para garantir a estabilidade da pavimentação da rua superior, e o 'pare' atendia ao Código Nacional de Trânsito.
Projeto de pavimentação em análise
A Prefeitura de Almirante Tamandaré informou que há um projeto de pavimentação cadastrado na Secretaria de Estado das Cidades, aguardando análise para que o processo de licitação tenha início. A previsão é que o edital seja aberto em um prazo entre 90 e 120 dias. O Governo do Paraná, por sua vez, solicitou à prefeitura um relatório específico sobre a circulação segura de pedestres, considerando as condições do terreno. Após a complementação dos dados, será feita a autorização para licitação, sem data definida.
Impacto na rotina dos moradores
O entregador Bruno Domingues, que trabalha há quatro anos na região, gravou um vídeo que viralizou mostrando a dificuldade de acesso. Ele afirma que a inclinação impacta diretamente nas entregas, sendo muitas vezes necessário estacionar a moto e seguir a pé. 'Como que sobe aquele negócio ali? Não sobe de jeito nenhum. Estava lá do outro lado e tive que dar a volta na quadra, porque aqui não sobe. Tempo maior de rota na rua. A gente tem que ficar dando volta na quadra, cuidar das crianças, para não bater. É uma situação bem complicada', relata.
Moradores como José Juliano Prodóssimo dos Santos também expressam insatisfação: 'Por esse lado aqui não tem como, tem que dar a volta pelo outro. Não tem como passar por aqui mesmo. Seria bom demais se asfaltassem e se mudassem o 'pare'. Deus o livre! Não tem como parar ali'. A comunidade aguarda uma solução definitiva para a via que se tornou um símbolo de desafio urbano na região.



