Reparos em casas atingidas por explosão no Jaguaré começam após uma semana
Reparos no Jaguaré começam após explosão

Uma semana após a explosão provocada por uma obra da Sabesp no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, os reparos nas casas atingidas finalmente começaram. No sábado (16), equipes iniciaram a troca de telhados, janelas e portões, enquanto moradores ainda enfrentam interdições, demolições e incertezas sobre o futuro. O acidente deixou dois mortos e dezenas de imóveis danificados, transformando o bairro em um cenário de guerra.

Vítimas e danos

As vítimas fatais foram o vigilante Alex Sandro Nunes, que morreu no local, e Francisco Albino, de 62 anos, que descansava em casa e faleceu dias depois. A Defesa Civil informou que 16 residências foram condenadas (marcadas em vermelho), 22 têm interdição parcial e 99 foram liberadas após vistorias. Estima-se que 2 mil m² foram total ou parcialmente destruídos.

Relatos de moradores

A doméstica Michele Carvalho da Silva descreveu a situação: "Dentro de casa está um caos, ficamos sem saber de nada". A autônoma Ketlyn Victória da Silva Vieira recebeu laudo de interdição: "O teto do meu quarto tem risco de ceder". Já Sabrina Santana, inspetora de qualidade, foi informada de que sua casa precisará ser demolida: "Vão ter que derrubar e começar do zero".

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O pedreiro Osmar Braz, arremessado pela onda de choque, fraturou duas vértebras. Carlos Henrique ficou soterrado nos escombros da casa que reformou por cinco anos com a namorada. "Era um cenário de guerra", disse.

Investigações e segurança

O Instituto de Criminalística realizou mapeamentos com scanner 3D e drones para reconstituir a dinâmica do acidente. Especialistas apontam que um vazamento formou uma nuvem de gás no subsolo. Moradores questionam os protocolos de segurança: Osmar sentiu cheiro de gás antes da explosão, mas não recebeu ordem para sair. A Sabesp afirmou que os protocolos foram cumpridos e suspendeu obras em vias públicas com interferência em redes de gás por 15 dias.

Na quinta-feira (15), no entanto, uma escavação da Sabesp perfurou uma rede da Comgás em Itaquera, na Zona Leste. A obra não estava entre as suspensas.

Auxílio e mudanças

A Sabesp informou que 662 pessoas receberam auxílio emergencial de R$ 5 mil, além de hospedagem provisória e apoio para reparos. A Comgás mantém 113 pessoas em hotéis. Quatro famílias aceitaram se mudar para um conjunto habitacional da CDHU, a 10 km da Rua Piraúba, com custos pagos pelas empresas.

Rotina improvisada

Na Rua José Benedito de Moraes Leme, vizinhas improvisaram um café na rua enquanto aguardavam avaliações. A atendente Shirlei Cardoso da Silva precisou ficar perto do imóvel após assinar o laudo. "A gente fica preso, não tem como sair", afirmou.

Na Rua Piraúba, equipes trocaram telhados, janelas e portões. A vigilante Marineide Maria de Almeida Vasconcelos disse: "Trocaram o telhado, que caiu todo. Ainda falta o portão". Comerciantes também sofreram prejuízos. Uma pizzaria não consegue operar por equipamentos danificados. O comerciante Tarciano Fernandes Lima ainda não calculou o prejuízo: "Freezer, geladeira, mercadoria, computador...". O motoboy Lucas Lima de Freitas, que filmou a explosão, está sem trabalho desde o acidente.

Apesar da destruição, moradores tentam retomar a rotina. Em uma das ruas, a fita de isolamento da Defesa Civil virou rede de vôlei improvisada. O operador de máquina Francisco da Silva, que perdeu um primo na explosão, participou: "Se distrair um pouco, porque a situação não é legal".

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