Home office em extinção? Retorno ao presencial avança no Brasil em 2026
Home office em extinção? Retorno ao presencial avança

O movimento de retorno ao trabalho presencial se intensifica no Brasil, especialmente em São Paulo, onde a taxa de vacância de imóveis corporativos atingiu 13,4% no primeiro trimestre de 2026, o menor nível registrado em 14 anos, segundo a consultoria imobiliária JLL. Esse dado reflete uma tendência nacional: vagas remotas diminuem, enquanto oportunidades presenciais e híbridas avançam, superando as totalmente remotas em plataformas de recrutamento como a Gupy.

Resistência ao retorno

Um levantamento da Mercer Brasil mostra que 76% dos gestores relatam insegurança em relação à produtividade no trabalho remoto, além de desafios como excesso de reuniões (66%) e dificuldades na gestão e cultura organizacional. No entanto, entre os trabalhadores, o retorno encontra forte resistência. Estudo da WeWork em parceria com a Offerwise revela que 63% dos brasileiros trabalham de forma presencial, mas para 79% deles isso não é uma escolha, e sim uma exigência. Quando a decisão parte do profissional, apenas 42% optariam por trabalhar exclusivamente no escritório.

O custo invisível do presencial

O principal fator de resistência é o deslocamento: 65% dos trabalhadores apontam o tempo gasto no trajeto como a maior desvantagem do modelo presencial. A maioria dedica entre 30 minutos e uma hora por dia ao percurso, o que impacta diretamente a vida pessoal. “É um custo silencioso. Não aparece no salário, mas aumenta o cansaço, reduz o tempo livre e interfere na rotina fora do expediente”, explica Beatriz Kawakami, gerente de negócios da WeWork Brasil. Além disso, 53% relatam aumento de gastos com transporte e alimentação. Ao chegar ao escritório, a experiência nem sempre compensa: ambientes barulhentos (57%) e falta de espaços de descanso (53%) estão entre as principais reclamações.

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Flexibilidade como fator de retenção

A perda da flexibilidade gera desmotivação em 44% dos profissionais e ansiedade em 38%. O estudo da WeWork aponta que 93% consideram essencial equilibrar vida pessoal e trabalho, e 64% trocariam de emprego por melhor qualidade de vida, mesmo com salário menor. A pesquisa, feita com 2,5 mil profissionais, mostra predominância de millennials (37%) e geração Z (32%), que priorizam propósito e flexibilidade. A geração Z, apesar da maior rotatividade, 65% não aceitam trabalhos informais, o maior índice entre todas as faixas etárias. Para o sociólogo Ricardo Nunes, “as novas gerações aprendem desde cedo que precisam se adaptar e buscar seus próprios caminhos”.

O escritório precisa competir com a casa

Apesar das críticas, o trabalho presencial ainda é valorizado: 55% dos profissionais o consideram importante para integração das equipes e 49% destacam o fortalecimento das relações interpessoais. Mas, para competir com o conforto do lar, as empresas precisam oferecer mais. Itens básicos como café, lanches e espaços amplos são essenciais para metade dos trabalhadores. Quando há investimento em melhorias, a satisfação pode chegar a 96%. Segundo Claudio Hidalgo, presidente regional da WeWork Latam, “o escritório não compete mais apenas com outras empresas — ele compete com o conforto do lar”.

Estratégias para tornar o presencial atrativo

As empresas têm adotado estratégias como flexibilização dos modelos de trabalho, horários ajustáveis por time, e escritórios em complexos multiuso, que oferecem serviços como restaurantes, academias e comércio no mesmo local. Cerca de 70% dos novos projetos corporativos seguem essa lógica, baseada em flexibilidade de horários, diversidade de local de trabalho, integração com serviços e estímulo à convivência urbana. Ainda segundo o estudo, 82% dos profissionais aceitariam trabalhar mais dias no escritório em troca de um salário maior.

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