Megaoperação contra garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé continua sem prazo definido
A megaoperação desencadeada pelo Exército e outras forças de segurança na quarta-feira, 25 de setembro, contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, não tem prazo para acabar, conforme afirmou o diretor geral da Casa de Governo, Nilton Tubino. A ação, que já resultou na condução de mais de 60 suspeitos para a Polícia Federal nos dois primeiros dias, tem como objetivo principal devolver o território aos mais de 200 indígenas do povo Nambikwara.
Estruturas criminosas e dificuldades de desmantelamento
Segundo Tubino, a região apresenta estruturas de grande porte, similares às encontradas no garimpo Cururu, com muitos móveis, bares e infraestrutura logística que demandam tempo para serem desmanteladas. "Não temos prazo para terminar. Queremos estabilizar o território. Isso vai levar tempo para desmanchar, mas também para evitar que retomem", explicou o diretor.
A facilidade de acesso terrestre à Sararé, com múltiplas entradas e fretes baratos para maquinários, tem facilitado o retorno constante dos invasores ao território. Em resposta, o Exército bloqueou todos os acessos, enquanto as forças de segurança adentraram a região por terra, rio e ar, utilizando barcos e helicópteros.
Disparada do preço do ouro atrai criminosos
Uma das preocupações centrais do governo federal é a alta do preço do ouro no mercado internacional, que tem aumentado o apetite dos garimpeiros pela região. Com a cotação superando US$ 5 mil por onça após tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o ativo financeiro se tornou ainda mais atrativo para atividades ilegais.
Rodrigo Vitorino Aguiar, chefe das operações da Polícia Federal no território, destacou que "o ouro, como ativo financeiro, vem batendo seu recorde histórico, o que atrai mais pessoas para a atividade de extração mineral, inclusive em garimpos ilegais, como os localizados na Sararé".
Coordenação entre múltiplos órgãos
A operação é conduzida por uma ampla coalizão de instituições, incluindo:
- Ministério dos Povos Indígenas
- Funai
- Ministério da Defesa
- Abin
- AGU
- Ibama
- Polícia Federal
- Polícia Rodoviária Federal
- Força Nacional
- Casa Civil
- Censipam
Impactos ambientais e sociais na Sararé
A Terra Indígena Sararé, homologada em 1985 e localizada nos municípios de Conquista D'oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade, tem enfrentado conflitos armados decorrentes da exploração ilegal. Dos 67 mil hectares do território, mais de três mil já foram devastados pela mineração clandestina.
Os agentes de segurança suspeitam que cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas, incluindo a facção Comando Vermelho, atuam dentro da área indígena. Em quase dois meses de operação, já foram destruídas:
- Mais de 160 escavadeiras
- Centenas de motores
- Estruturas diversas de suporte logístico
Desde 2023, mais de 460 escavadeiras já foram neutralizadas durante ações de fiscalização na região. Apesar dos desafios, a área garimpada ilegalmente apresentou uma redução de 20% quando comparados dados de 2024 e 2025, segundo Jair Smith, diretor de Proteção Ambiental do Ibama.
Smith ressaltou que, embora a alta do ouro gere atenção especial, "o trabalho de combate é permanente. Pode ser mais ou menos atrativo, mas essa relação causal não é tão imediata". A pressão sobre o governo federal para entregar um plano definitivo de expulsão dos invasores ainda neste mês continua intensa, enquanto as forças de segurança mantêm presença na região desde agosto do ano passado.



