Facção criminosa invade garimpo ilegal e aterroriza terra indígena em Mato Grosso
Facção invade garimpo ilegal e aterroriza terra indígena em MT

Facção criminosa invade garimpo ilegal e aterroriza terra indígena em Mato Grosso

A terra indígena Sararé, localizada no município de Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, enfrenta uma situação crítica com o avanço do garimpo ilegal e a infiltração da facção criminosa Comando Vermelho. Nos últimos três anos, essa presença tem trazido bebedeira, matança e ameaças constantes para a comunidade indígena, que vive em constante estado de alerta.

Relatos de violência e destruição

Uma indígena da etnia Nambikwara Katitaurlu, que preferiu não se identificar, relatou à TV Centro América as mudanças devastadoras no território. "Eu quero ficar em paz na aldeia. Tem um rapaz que vende drogas, bebidas. Ele trouxe para aldeia e vai matando o próprio indígena", desabafou. Ela destacou que o consumo de álcool e drogas tem levado a violências internas, incluindo ameaças contra mulheres e familiares.

Além da violência humana, o garimpo ilegal causa destruição ambiental severa. Tainá Katitaurlu, filha do cacique, explicou que a atividade desmata a região, afasta e mata os animais das florestas, que são essenciais para a alimentação da comunidade. Desde a chegada dos garimpeiros, o consumo de proteína animal caiu significativamente, afetando a segurança alimentar dos indígenas.

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Operações de combate e prejuízos milionários

Em resposta à crise, uma operação integrada foi deflagrada em 1º de agosto do ano passado, coordenada pelo Ibama em parceria com diversas agências, incluindo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional. Até o momento, a operação já:

  • Destruiu mais de 150 escavadeiras hidráulicas
  • Causou prejuízo estimado em mais de R$ 226 milhões ao garimpo ilegal
  • Localizou 14 bunkers com estoques de alimentos, equipamentos e insumos
  • Encontrou 6 armas de fogo, incluindo um fuzil 5.56 mm e duas espingardas calibre 12

A ação, chamada de desintrusão, cumpre uma determinação da Justiça Federal para expulsar os garimpeiros ilegais e não tem prazo para encerrar. Desde 2023, mais de 460 escavadeiras já foram neutralizadas em Sararé, mas os desafios permanecem enormes.

Contexto regional e ameaças criminosas

A região de Sararé, próxima à fronteira com a Bolívia, tornou-se uma das rotas mais usadas para o tráfico de drogas, segundo a Polícia Civil. A partir de 2022, grupos criminosos começaram a se infiltrar na área, e em 2024, entraram diretamente no garimpo. Parte desses criminosos é investigada pela destruição provocada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, indicando um padrão de atuação.

Dos 67 mil hectares da terra indígena, mais de três mil já foram devastados pela exploração ilegal de ouro. Agentes suspeitam que há cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas atuando dentro do território, o que gera conflitos armados frequentes. A comunidade indígena, composta por aproximadamente 200 pessoas, convive diariamente com ameaças e a proximidade cada vez maior dos invasores.

Pressão governamental e futuro incerto

O governo federal tem até março deste ano para apresentar um plano de ação visando expulsar completamente os invasores do território. Enquanto isso, as operações de segurança continuam, mas a situação permanece tensa. A TV Centro América foi a primeira emissora de televisão a entrar no garimpo em Sararé, em agosto do ano passado, documentando a gravidade do cenário.

Os indígenas seguem lutando por paz e proteção, clamando pelo fim do garimpo ilegal e da violência associada. A destruição ambiental, a perda de recursos naturais e o terror imposto pelas facções criminosas configuram uma crise humanitária e ecológica que demanda ações urgentes e efetivas das autoridades.

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