O Tracy Arm Fjord, no sudeste do Alasca, dentro da Floresta Nacional Tongass, é conhecido por sua paisagem majestosa, com estreita entrada de mar cercada por imponentes paredões de granito, cachoeiras e geleiras. Em uma manhã do ano passado, ele também foi palco de um poderoso deslizamento de terra que provocou um enorme tsunami.
O segundo maior tsunami já registrado
Pesquisadores determinaram agora que o tsunami de 10 de agosto de 2025 foi o segundo maior já registrado, com uma onda que chegou a 481 metros de altura — mais alta do que o Empire State Building, em Nova York. O tsunami avançou pelo fiorde, um enorme vale rochoso inundado pelo mar, arrancando violentamente a vegetação dos paredões rochosos íngremes.
O fiorde é um destino turístico popular, mas, como o tsunami ocorreu às 5h30, não havia navios de cruzeiro nem outras embarcações na via, e ninguém ficou ferido. Os pesquisadores afirmaram que o deslizamento foi provocado pela mudança climática. A geleira que sustentava a montanha havia recuado em meio ao aumento das temperaturas, deixando a rocha sem apoio.
Reconstrução do evento
Não havia fotografias ou gravações em vídeo do tsunami, por isso os cientistas reconstruíram os eventos a partir de fotos aéreas tiradas posteriormente, dados de satélite e sísmicos, trabalho de campo no local e relatos de pessoas que estavam nas proximidades na hora. O Tracy Arm, a cerca de 80 km ao sul de Juneau, capital do Alasca, tem aproximadamente 40 km de comprimento e 1 km de largura, cercado por paredões com mais de 1.000 metros de altura.
Os pesquisadores determinaram a altura da onda medindo o ponto até onde a vegetação foi arrancada, deixando cicatrizes marcantes nos paredões. A onda atingiu tamanha altura porque o imenso volume de água deslocado pela rocha do deslizamento foi comprimido em um espaço confinado.
Impacto e comparações
Cerca de 64 milhões de metros cúbicos de rocha desabaram em aproximadamente um minuto. Isso equivale a 24 vezes o volume da Grande Pirâmide de Gizé, segundo o geofísico Stephen Hicks, do University College London e coautor do estudo. "Esse colapso desencadeou uma onda sísmica observada em todo o planeta", disse Hicks.
Algumas ondas ficaram aprisionadas no fiorde, causando o que se chama de seiche — uma oscilação da água — que durou vários dias e gerou uma onda sísmica distinta, segundo Hicks. Um tsunami semelhante, provocado por um deslizamento no Dickson Fjord, na Groenlândia, em 2023, gerou uma onda de cerca de 200 metros de altura e também um seiche.
Tsunamis são ondas gigantes provocadas por terremotos, erupções vulcânicas submarinas ou deslizamentos de terra. O maior tsunami já registrado — cerca de 520 metros — também foi um evento localizado, ocorrido na Baía Lituya, no Alasca, em 1958, após um deslizamento.
Possíveis sistemas de alerta
Os dados sísmicos mostraram que houve, sim, sinais de alerta antes do deslizamento no Tracy Arm. "Em retrospecto, descobrimos que o deslizamento foi precedido por cerca de uma semana de pequenos terremotos, indicando o fraturamento do que viria a ser a massa do deslizamento. Isso nos dá uma possível esperança de desenvolver sistemas de alerta e previsão, em conjunto com outras observações", disse Hicks.
O fato de o deslizamento ter ocorrido tão cedo pela manhã foi considerado sortudo pelos pesquisadores. "Da próxima vez — e haverá uma próxima vez — podemos não ter tanta sorte", disse o geomorfólogo Dan Shugar, da Universidade de Calgary, autor principal do estudo publicado na revista Science.



