Rio Acre volta a ficar abaixo da cota de alerta após semana crítica em Rio Branco
Rio Acre baixa após alerta, mas situação ainda preocupa em Rio Branco

Rio Acre registra queda no nível após semana acima da cota de alerta em Rio Branco

Após uma semana com medições acima da marca de alerta, o Rio Acre voltou a ficar abaixo da cota estabelecida pela Defesa Civil Municipal na manhã desta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026. O manancial marcou 13,18 metros às 5h, e às 9h já havia baixado para 12,98 metros, conforme dados oficiais divulgados pelo órgão.

Histórico recente das cheias e oscilações do rio

O rio havia começado a vazar na terça-feira, 3 de fevereiro, quando atingiu 15,31 metros às 9h. Ao longo do dia, o nível reduziu gradualmente, ficando abaixo dos 15 metros às 18h. Na tarde de quarta-feira, 4 de fevereiro, o manancial saiu da cota de transbordamento, que é de 14 metros, ao marcar 13,99 metros na medição das 15h.

Segundo a Defesa Civil Municipal, as águas pararam de subir na segunda-feira, 2 de fevereiro, oscilando entre 15,42 metros e 15,44 metros. Esta é a quarta vez em menos de um ano que o Rio Acre transborda, com eventos anteriores registrados em março e dezembro de 2025, e em janeiro de 2026.

Impactos humanos e números da enchente em Rio Branco

O levantamento mais recente da Defesa Civil de Rio Branco aponta que mais de 12 mil pessoas foram atingidas, direta ou indiretamente, pela enchente. Os dados detalhados incluem:

  • 30 bairros afetados na zona urbana
  • 1.949 famílias atingidas na zona urbana, cerca de 7 mil pessoas
  • 1.250 famílias atingidas na zona rural, cerca de 5 mil pessoas
  • 39 famílias no Parque de Exposições em situação de desabrigo, totalizando 115 pessoas e 26 animais
  • 22 famílias desalojadas, somando 74 pessoas
  • 23 comunidades rurais afetadas

As famílias que estão desabrigadas só poderão voltar para suas casas quando o manancial atingir a marca de 10 metros, conforme orientação das autoridades.

Causas climáticas e previsões para o período

A oscilação no nível do rio é provocada pelo volume elevado de chuvas na região. Em janeiro de 2026, o acumulado pluviométrico ficou 120% acima da média histórica esperada, fechando o mês com 644,9 milímetros de chuva, enquanto a previsão para o mês inteiro era de 287,5 milímetros.

Para fevereiro, a previsão é de cerca de 300 milímetros de chuva, o que mantém o cenário de atenção para novas variações no nível do manancial e a possibilidade de novas elevações ao longo do mês. O período mais crítico do inverno amazônico ainda não acabou, alerta a Defesa Civil.

Cotas estabelecidas e monitoramento contínuo

As cotas estabelecidas pela Defesa Civil para o Rio Acre são claramente definidas para orientar a população e as ações de emergência:

  1. Atenção: 10 metros
  2. Alerta: 13,50 metros
  3. Transbordamento: 14 metros

O manancial estava acima da cota de transbordo desde o dia 29 de janeiro, quando o rio transbordou pela terceira vez em dois meses. Apesar da vazante atual, a situação ainda exige atenção, pois o rio pode subir novamente e novas áreas serem afetadas.

O histórico recente mostra que o primeiro transbordamento ocorreu em 10 de março de 2025, com nível chegando a 14,13 metros. A maior medição daquele período foi de 15,88 metros, afetando mais de 30 mil pessoas. Em dezembro do mesmo ano, o rio subiu cerca de quatro metros em menos de 24 horas, alcançando 14,03 metros e atingindo mais de 20 mil pessoas.