Chuvas intensas causam estragos em Belo Horizonte com quedas de árvores e postes
Belo Horizonte registrou uma série de ocorrências relacionadas à queda de árvores nesta terça-feira, 20 de janeiro, devido às chuvas persistentes que não deram trégua à cidade ao longo do dia. A situação levou a Defesa Civil municipal a emitir alertas de risco geológico para cinco regionais da capital, indicando um cenário de preocupação com a saturação do solo.
Queda de árvore derruba postes e motocicleta fica presa em fiação
No bairro Juliana, localizado na Região Norte de Belo Horizonte, uma árvore caiu e derrubou cinco postes, causando transtornos significativos. Uma motocicleta ficou presa sob a fiação elétrica durante o incidente. A pintora Gleice Núbia de Jesus, que estava dirigindo o veículo, recebeu ajuda de outro motociclista e descreveu a experiência como um renascimento, afirmando que "nasceu de novo" após escapar ilesa.
Ela relatou o momento de pânico: "Eu estava subindo o morro e ouvi um barulho. Olhei para trás e vi que a árvore estava caindo. Na hora que olhei para a frente de novo para tentar acelerar, os fios e os postes caíram e pegaram em cima da minha moto. O rapaz puxou a moto, e eu consegui sair, graças a Deus".
Como resultado dessa ocorrência, a Companhia Energética de Minas Gerais, a Cemig, informou que 376 clientes ficaram sem energia elétrica, destacando o impacto direto nas infraestruturas urbanas e na vida dos moradores.
Outros incidentes em diferentes bairros da capital
Além do caso no bairro Juliana, outros pontos de Belo Horizonte também foram afetados pelas quedas de árvores. Na Praça Jorge Mansur, no bairro Ouro Preto, na Região da Pampulha, uma árvore atingiu uma banca de jornais e revistas. A dona do estabelecimento, Maria Rosa Cardoso, contou que estava trabalhando quando o incidente ocorreu, levando um susto considerável. "Eu estava trabalhando, levei o maior susto. Começou a desabar, eu saí correndo morrendo de medo, foi horrível", disse ela, aliviada por ninguém ter se ferido.
Já na Alameda Ipê Amarelo, no bairro São Luiz, também na Pampulha, uma árvore caiu sobre um carro, adicionando mais um exemplo dos danos materiais causados pelas condições climáticas adversas.
Alertas meteorológicos e riscos geológicos em expansão
O Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet, renovou o aviso laranja de chuva intensa para 507 cidades de Minas Gerais, incluindo Belo Horizonte e sua Região Metropolitana. Esse alerta sinaliza perigos iminentes devido ao volume elevado de precipitações.
Em resposta, a Defesa Civil de Belo Horizonte emitiu um alerta específico para risco geológico em cinco regionais: Norte, Nordeste, Pampulha, Noroeste e Oeste. O subsecretário de Proteção e Defesa Civil, Alcione Menezes Alves, explicou que "o risco geológico é caracterizado pela saturação do solo. Com a continuidade de chuvas, provavelmente o risco geológico vai se estender para toda a cidade", indicando uma possível escalada da situação.
Os dados pluviométricos reforçam a gravidade do cenário. Em apenas seis horas e meia, a Região Noroeste de Belo Horizonte registrou 80,4 milímetros de chuva, o que corresponde a quase 25% do volume esperado para todo o mês de janeiro, conforme informações da Defesa Civil municipal.
Estatísticas de ocorrências e chamados emergenciais
O Corpo de Bombeiros relatou que, nas últimas 24 horas, houve oito chamados para corte de árvores caídas na capital mineira. Desses, seis ocorreram em vias públicas, um sobre um veículo e outro sobre uma residência, evidenciando a diversidade e a frequência dos incidentes.
Esses números destacam a necessidade de atenção contínua às condições climáticas e à preparação das autoridades para responder a emergências, especialmente em períodos de chuvas intensas que podem comprometer a segurança pública e a infraestrutura urbana.