O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) está analisando a implementação de medidas para controlar o fluxo de turistas no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no Maranhão. A iniciativa tem como objetivo principal garantir a preservação do frágil ecossistema local e manter o prestigioso título de Patrimônio Natural Mundial, concedido pela UNESCO em julho de 2024.
Pressão turística em níveis recorde
O principal motivo para a avaliação é o crescimento explosivo no número de visitantes. Em 2025, o parque registrou a marca histórica de mais de 650 mil visitantes. Esse número representa um aumento superior a 400% em comparação com 2019, um salto que acendeu o alerta entre gestores e especialistas em conservação.
"O aumento da visitação turística em um parque nacional pode gerar impactos negativos sobre a unidade de conservação, como a compactação do solo, erosão de trilhas, perturbação da fauna e aumento da geração de resíduos", explica o ICMBio, órgão responsável pela gestão do parque. A instituição ressalta ainda que a superlotação pode comprometer a experiência do visitante, reduzindo a sensação de conexão com a natureza e colocando em risco os objetivos de conservação da área.
Projeto piloto define capacidade de carga
Para enfrentar o desafio de conciliar visitação e preservação, a administração do parque iniciou um projeto piloto para definir o Número Balizador da Visitação (NBV). Este parâmetro científico indicará a quantidade máxima de visitantes que cada área do parque pode receber sem que haja prejuízos à conservação ambiental e à segurança das pessoas.
O projeto conta com a colaboração de um grupo diversificado, incluindo representantes do ICMBio, das prefeituras dos três municípios onde o parque está inserido – Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz –, além do SEBRAE e instituições de ensino como o Instituto Federal do Maranhão (IFMA) e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Um patrimônio mundial que precisa de proteção
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, criado em 1981, é famoso por suas grandiosas dunas de areia branca e lagoas de água doce cristalina, formadas pelas chuvas. Em 2024, sua beleza excepcional e singularidade como fenômeno natural foram reconhecidas mundialmente com o título da UNESCO. O parque foi o único representante do Brasil na lista de novos patrimônios naturais daquele ano, sendo avaliado na mesma categoria que locais como o Deserto Badain Jaran, na China, e The Flow Country, no Reino Unido.
Localizado em uma zona de transição entre os biomas Cerrado, Caatinga e Amazônia, o parque agora enfrenta o duplo desafio de promover o turismo, importante para a economia local, e proteger seus recursos naturais para as futuras gerações. "Proteger o PNLM é responsabilidade de todos: ICMBio, prestadores de serviço, operadores, turistas e moradores", reforça a equipe de gestão da unidade.
Regras de acesso e taxação
Atualmente, o acesso de veículos ao interior do parque é restrito a agências ou operadores de turismo credenciados pelo ICMBio. Em Santo Amaro do Maranhão, os visitantes que chegam por essa porta de entrada precisam pagar uma taxa de acesso de R$ 10, cobrada pela prefeitura municipal, mesmo após uma decisão judicial que considerou a cobrança inconstitucional.
O ICMBio defende que limitar o acesso, quando necessário, é um passo fundamental para assegurar um turismo sustentável e proteger um dos cenários naturais mais icônicos do Brasil, que, com o título da UNESCO, deve receber atenção redobrada para a preservação de sua biodiversidade única.



