Tempestades devastadoras assolam Portugal com rompimento de barragens e destruição de infraestrutura
Portugal enfrenta uma das piores crises climáticas de sua história recente, com tempestades torrenciais que já duram semanas causando destruição generalizada em todo o país. O ponto crítico ocorreu na noite de quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, quando um viaduto da rodovia A1, principal ligação entre Lisboa e Porto, desabou completamente após o rompimento de um dique do rio Mondego.
Destruição na principal rodovia do país
O acidente ocorreu próximo à histórica cidade de Coimbra, onde as águas do rio Mondego, transbordando com força incomum, romperam um dique que sustentava um dos pilares da rodovia. A estrutura colapsou criando uma enorme abertura na via, que já havia sido interditada preventivamente pelas autoridades. A prefeita de Coimbra, Ana Abrunhosa, descreveu a situação como "extremamente instável", com várias cidades da região completamente isoladas pelas inundações.
"A velocidade e a força da água, esta é uma situação absolutamente anormal", declarou o ministro português da Infraestrutura, Miguel Pinto Luz, durante visita ao local do desastre. O ministro alertou que serão necessárias semanas para reconstruir a infraestrutura e restabelecer a normalidade na principal artéria rodoviária do país.
Evacuações em massa e crise política
As autoridades municipais ordenaram a evacuação preventiva de aproximadamente 3 mil pessoas na região de Coimbra devido ao risco iminente de transbordamento do rio Mondego. A operação, ainda em andamento, envolve buscas casa a casa pela polícia e transporte dos moradores em ônibus para abrigos temporários.
A crise climática gerou uma forte pressão política sobre o governo português, culminando com a renúncia da ministra do Interior, Maria Lúcia Amaral, após críticas generalizadas sobre a lentidão e falhas na resposta à tempestade Kristin no final de janeiro. O primeiro-ministro Luís Montenegro admitiu que as autoridades estavam "no limite da sua capacidade de conter as águas".
Consequências amplas das tempestades
As tempestades que assolam Portugal desde janeiro já causaram:
- Pelo menos 15 mortes confirmadas
- Centenas de milhares de pessoas sem energia elétrica por dias
- Desabamento de parte da antiga muralha de Coimbra, patrimônio mundial da UNESCO
- Descarrilamento de trem em Abrantes após colisão com escombros
- Inundação de diversas cidades nas regiões central e sul do país
Carlos Tavares, responsável da Proteção Civil Regional, alertou para o risco adicional de transbordamento da barragem da Aguieira, localizada 35 km a nordeste de Coimbra, o que poderia causar novas inundações catastróficas.
Fenômeno climático extremo
A ministra do Meio Ambiente, Maria da Graça Carvalho, revelou dados alarmantes: "Em apenas estes dois dias, a chuva foi equivalente a 20% da média anual de Portugal". O fenômeno meteorológico responsável por esta situação extrema é conhecido como "rio atmosférico" - um amplo corredor de vapor d'água concentrado que transporta quantidades massivas de umidade dos trópicos.
A Agência Portuguesa do Ambiente prevê um "período excepcional de correntes máximas" no rio Mondego até sábado, 14 de fevereiro, mantendo o país em alerta máximo. O governo deverá prestar esclarecimentos na Assembleia da República sobre sua gestão desta crise sem precedentes.



