Moradora enfrenta enchente dramática para salvar animais após temporal devastador em Sorocaba
Uma recepcionista de 33 anos, residente em Sorocaba, interior de São Paulo, viveu uma situação de extremo perigo neste sábado (7) quando precisou caminhar por mais de 600 metros em um trecho completamente alagado, com água atingindo sua cintura. O episódio ocorreu após um temporal histórico que atingiu a cidade, causando uma morte, interdições de vias e destruição generalizada.
Temporal supera expectativas e causa caos na cidade
De acordo com informações da prefeitura municipal, o volume de chuva registrado na tarde de sábado ultrapassou completamente as expectativas para o mês de março. A Estação de Tratamento Cerrado registrou impressionantes 114,4 milímetros de precipitação em apenas três horas, um índice que explica a magnitude dos estragos ocorridos.
O temporal severo resultou em um trágico óbito, quando um homem foi arrastado pela força da enxurrada. Além disso, diversas vias foram interditadas devido aos alagamentos, enquanto muros e árvores desabaram em múltiplos pontos da cidade, conforme mostram imagens de drone que revelam parte da destruição.
Drama pessoal em meio ao desastre coletivo
Rosangela Bazani, a recepcionista que enfrentou as águas, contou que estava trabalhando em um hotel no bairro Campolim quando recebeu alertas de vizinhos sobre a situação crítica na região onde mora. As mensagens indicavam que a água estava subindo rapidamente e já invadia diversas residências, incluindo a sua própria.
"Começaram a chegar algumas mensagens que a água estava subindo muito rápido. Conversei com meu supervisor, que me liberou, chamei um carro de aplicativo, mas o veículo teve que parar quatro ruas antes da minha porque já havia muita água. Eu desci e não pensei em mais nada, só queria ver como estavam meus animais, tenho três cachorros e três gatos", relatou Rosangela ao descrever o momento de decisão.
A jornada perigosa ocorreu entre as ruas Doutor Campos Salles e Barão de Tibagi, onde a mulher carregava uma mochila, celular e chaves enquanto se segurava nas grades dos portões para manter o equilíbrio. Em determinado momento, ela quase afundou ao pisar em um buraco ou bueiro coberto pelas águas, aumentando ainda mais o risco da situação.
Cenário de destruição e solidariedade
Ao se aproximar de sua residência, Rosangela encontrou vizinhos se ajudando mutuamente em meio ao caos. "Muita gente com criança pequena e animais. Foi um caos, um susto mesmo. E demorou para a água baixar, porque a chuva não parava. Foi muito triste. Muita gente perdeu muita coisa", acrescentou emocionada.
Embora seus animais tenham sobrevivido ilesos, a moradora sofreu significativos danos materiais. Ela perdeu um colchão, diversos calçados, e viu seu guarda-roupa desmontar completamente, com todas as peças caindo na água contaminada. "Vou lavando um pouco por dia agora [roupas], mas meu medo é doença, né? Eu andei um monte naquela água e meus animais também tiveram contato. Espero que a gente fique bem", expressou sua preocupação com possíveis consequências sanitárias.
Estragos generalizados em Sorocaba
A Defesa Civil de Sorocaba registrou interdições em múltiplas localidades estratégicas da cidade, incluindo:
- Avenida Afonso Vergueiro
- Avenida Dom Aguirre
- Avenida XV de Agosto
- Avenida Londres
- Avenida Comendador Pereira Inácio com a Avenida Washington Luiz
- Região do Parque das Águas
Um balanço oficial de ocorrências divulgado pela prefeitura detalha ainda mais a extensão dos danos:
- Alagamentos em diversos pontos urbanos
- Quedas de muros e árvores
- Inundações residenciais e comerciais
- Retorno de esgoto em várias localidades
- Represamento de água e erosão viária
Entre os locais mais afetados estão a Avenida Dom Aguirre no Parque das Águas, Praça Lions, ruas dos Jardins Santa Lucinda, Europa, Gonçalves, Simus, Mineirão, além da Vila Assis e Jardim Abaeté. No Jardim Nova Esperança, um muro escolar desabou devido à força das águas, enquanto na Avenida Afonso Vergueiro, uma mulher precisou se agarrar desesperadamente a um poste para não ser arrastada pela correnteza.
O temporal transformou avenidas como a Antônio Carlos Comitre, no Parque Campolim, em verdadeiros rios, deixando carros completamente ilhados e impossibilitando a circulação normal na cidade. A situação expôs vulnerabilidades na infraestrutura urbana frente a eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes nas cidades brasileiras.



