O número de mortos nas cidades atingidas por fortes temporais na zona da mata de Minas Gerais subiu para 47, conforme atualização divulgada pelo Corpo de Bombeiros na noite desta quarta-feira (25). A tragédia climática tem causado estragos significativos, com Juiz de Fora sendo a localidade mais afetada, registrando 41 óbitos confirmados e 18 pessoas ainda desaparecidas. Em Ubá, os números indicam 6 mortes e 2 desaparecidos, enquanto as equipes de resgate continuam atuando em oito frentes de trabalho para localizar possíveis vítimas.
Identificação das vítimas e resgates realizados
A Polícia Civil informou que 34 corpos encontrados em Juiz de Fora foram encaminhados ao Posto Médico-Legal, sendo que 33 deles já foram identificados. As vítimas de Ubá também tiveram suas identidades confirmadas pelas autoridades. É importante destacar que um homem que morreu eletrocutado em uma área de alagamento em Ubá não é considerado vítima direta das chuvas, segundo os órgãos oficiais. No total, o Corpo de Bombeiros resgatou 208 pessoas com vida na região da zona da mata, um esforço hercúleo em meio ao caos.
Impacto humano e deslocamentos forçados
Os cálculos dos bombeiros apontam para aproximadamente 3.000 desabrigados e 400 desalojados em Juiz de Fora, enquanto Ubá contabiliza 26 desabrigados e 178 desalojados. Esses números refletem a dimensão da crise humanitária que se instalou na região, com famílias inteiras tendo que abandonar seus lares devido aos deslizamentos de terra e inundações. A cidade de Juiz de Fora, a mais afetada pelas precipitações, decretou estado de calamidade pública desde a madrugada de terça-feira (24), um reconhecimento formal da gravidade da situação.
Relatos de moradores e cenário de destruição
A prefeitura de Juiz de Fora descreveu, na manhã de terça-feira, que a cidade amanheceu com "cicatrizes" após os temporais. Várias ruas ficaram inundadas ou tiveram a passagem interrompida por árvores caídas, necessitando de fechamento total. Moradores relataram à Folha de S. Paulo que tiveram pouco tempo para evacuar suas residências antes da tragédia se abater. No Parque Jardim Burnier, onde cerca de 12 casas foram destruídas pela força de um deslizamento de terra, os habitantes afirmaram sentir o chão trepidar na tarde de domingo (22), aproximadamente 24 horas antes do episódio catastrófico.
Vigília noturna e impactos econômicos
A primeira noite em Juiz de Fora após as chuvas foi marcada pelo fechamento de boa parte do comércio, incluindo bares, restaurantes e shoppings, mesmo em áreas não diretamente atingidas por enchentes ou deslizamentos. Nessas localidades, a noite e a madrugada foram dedicadas a vigílias na busca por desaparecidos e possíveis soterrados, um esforço comunitário em meio à dor e à incerteza. A solidariedade e a resiliência da população têm sido pontos de luz em um cenário sombrio.
Previsão climática e histórico de tragédias
Para esta quarta-feira, estão previstos novos temporais na faixa centro-sul do estado de Minas Gerais, com atenção especial para a região de Juiz de Fora, uma das cidades mais afetadas pelas chuvas da noite de segunda-feira (23). Esta não é a primeira vez que o estado acumula tragédias provocadas por chuvas intensas. Em 2020, por exemplo, ao menos 53 pessoas morreram em território mineiro após uma precipitação registrada em 24 de janeiro daquele ano, um lembrete trágico da vulnerabilidade da região a eventos climáticos extremos.
As autoridades continuam monitorando a situação de perto, com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil atuando em conjunto para mitigar os danos e prestar assistência às vítimas. A comunidade local, embora abalada, demonstra força diante da adversidade, enquanto o estado se prepara para possíveis novos desafios com a chegada de mais chuvas.



