Juiz de Fora encerra buscas após chuvas com 65 mortos; fevereiro foi o mais chuvoso em 65 anos
Juiz de Fora encerra buscas após chuvas com 65 mortos

Juiz de Fora encerra buscas após tragédia das chuvas com 65 mortos confirmados

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais anunciou o encerramento das buscas por desaparecidos em Juiz de Fora após as fortes chuvas que devastaram a cidade na última semana. A última vítima localizada foi Pietro Cesar Teodoro Freitas, de apenas 9 anos, encontrado sob os escombros no bairro Paineiras no sábado, 28 de fevereiro. No mesmo local, outras quatro pessoas da mesma família perderam a vida em um trágico deslizamento de terra.

Balanço da tragédia e situação atual

Segundo a Polícia Civil, os temporais causaram 72 mortes em toda a Zona da Mata Mineira, sendo 65 vítimas fatais concentradas em Juiz de Fora. A cidade registra mais de 8.500 pessoas desalojadas que tiveram que abandonar suas residências devido ao risco iminente de desabamentos ou enchentes. Enquanto as buscas foram encerradas em Juiz de Fora, no município vizinho de Ubá as operações continuam ativas em busca de um homem de 50 anos arrastado pela enxurrada na última terça-feira.

As aulas na rede municipal de ensino e na Universidade Federal de Juiz de Fora permanecem suspensas até a próxima segunda-feira, 9 de março. A infraestrutura de saúde também foi severamente afetada, com pelo menos cinco Unidades Básicas de Saúde inoperantes ou transferidas para locais temporários com capacidade reduzida.

Resposta das autoridades e apoio às vítimas

Nesta segunda-feira, 2 de março, equipes da prefeitura iniciaram forças-tarefa para limpar a lama e os destroços que bloqueiam as vias da cidade. Dezoito escolas municipais foram adaptadas para receber famílias desabrigadas, e a prefeitura estabeleceu um centro de recebimento de doações no Distrito Industrial para coordenar a ajuda emergencial.

O governo federal enviou equipes técnicas do Ministério das Cidades para Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, com o objetivo de prestar apoio aos trabalhos de restauração das áreas destruídas. No sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou pessoalmente a região e anunciou medidas de auxílio operacional e financeiro para a reconstrução dos municípios afetados.

"O governo federal vai repetir aqui o mesmo que nós fizemos com a tragédia do Rio Grande do Sul", declarou o presidente durante sua visita, reforçando o compromisso com a recuperação da região.

Fevereiro mais chuvoso da história

Os dados do Instituto Nacional de Meteorologia revelam a dimensão extraordinária do fenômeno climático. Juiz de Fora registrou 752,4 milímetros de volume acumulado de chuvas em fevereiro, a maior marca desde o início das medições na cidade em 1961. Este valor corresponde a mais de quatro vezes a média histórica de 170,3 milímetros esperada para o mês.

Um relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais indica que quase um quarto dos aproximadamente 567.000 habitantes de Juiz de Fora vivem em áreas de alto risco para deslizamentos de terra ou enchentes. Esta situação coloca a cidade mineira como o nono município brasileiro com maior população em perigo, ranking liderado por Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.

A tragédia em Juiz de Fora evidencia a vulnerabilidade de muitas cidades brasileiras frente a eventos climáticos extremos, enquanto a comunidade local se mobiliza para reconstruir o que foi perdido e apoiar as milhares de famílias afetadas.