Juiz de Fora decreta estado de calamidade pública após chuvas intensas
A cidade de Juiz de Fora, localizada em Minas Gerais, foi oficialmente declarada em estado de calamidade pública nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026. A medida foi tomada pela prefeita Margarida Salomão, do Partido dos Trabalhadores (PT), em resposta às fortes chuvas que assolaram a região, resultando em um trágico saldo de 14 mortes confirmadas até o momento.
Fevereiro mais chuvoso da história da cidade
Em um vídeo divulgado através de sua conta no Instagram, a prefeita Margarida Salomão revelou que este já é considerado o mês de fevereiro mais chuvoso já registrado na história de Juiz de Fora. Os acumulados pluviométricos ultrapassaram a marca impressionante de 584 milímetros, causando transtornos generalizados e situações de extremo perigo para a população.
A prefeita descreveu a situação como "gravíssima", destacando que a cidade enfrenta desafios sem precedentes. "Quem tentou andar pela cidade hoje sabe que os bairros estão ilhados. O rio Paraibuna saiu da calha, o que também é uma coisa histórica. Os córregos estão todos absolutamente transbordando", afirmou Salomão, enfatizando a gravidade dos alagamentos e deslizamentos de terra.
Números alarmantes e ações emergenciais
Além das 14 vítimas fatais, as chuvas intensas deixaram um rastro de destruição que afetou diretamente 440 pessoas, agora desabrigadas. A Defesa Civil municipal registrou, até o momento, 20 ocorrências de soterramento, com equipes de resgate trabalhando incessantemente para localizar e salvar possíveis sobreviventes.
"Estamos com o Corpo de Bombeiros, com a Defesa Civil, com todos os nossos recursos, inclusive com recursos e apoio de empresas particulares, buscando salvar a vida de todo mundo que está nessa aflição duríssima", declarou a prefeita, demonstrando a mobilização total dos órgãos públicos e da iniciativa privada no enfrentamento da crise.
Os bairros mais atingidos, segundo informações preliminares da prefeitura, são o JK e Santa Rita, onde se concentra o maior número de vítimas. Os dados oficiais estão sendo constantemente atualizados, com um novo balanço previsto para as 11 horas desta terça-feira.
Medidas imediatas e impacto na rotina da cidade
Diante da calamidade, a administração municipal implementou uma série de medidas emergenciais para proteger a população e minimizar os riscos. As aulas em todas as escolas da rede pública e privada foram suspensas indefinidamente, enquanto os moradores receberam orientações expressas para se deslocarem "o mínimo possível", a fim de evitar acidentes e exposição a perigos desnecessários.
Em nota oficial, a prefeitura alertou sobre as "dificuldades reais com o trânsito na cidade em função de alagamentos e deslizamentos de terra", recomendando que apenas deslocamentos essenciais fossem realizados. A infraestrutura urbana sofreu danos significativos, com várias vias interditadas e bairros completamente isolados pelas águas.
Abrigos temporários e decreto de calamidade
Para acolher as famílias desabrigadas, a prefeitura disponibilizou imediatamente três escolas municipais como abrigos temporários. Através de sua conta no X, antigo Twitter, a administração anunciou a abertura de um novo espaço na Escola Municipal Paulo Rogério dos Santos, no bairro Monte Castelo.
Além desse local, as escolas Murilo Mendes, no Alto Grajaú, e Nilo Camilo Ayupe, nas Paineiras, também foram convertidas em centros de acolhimento emergencial, oferecendo abrigo, alimentação e assistência básica aos desalojados pelas chuvas.
O decreto de calamidade pública terá validade de 180 dias, permitindo que os governos federal e estadual destinem recursos financeiros e humanos extras para auxiliar Juiz de Fora no enfrentamento desta crise sem precedentes. A medida é crucial para agilizar processos burocráticos e liberar verbas destinadas à reconstrução e ao socorro imediato.
A situação em Juiz de Fora serve como um alerta para outras cidades brasileiras que também enfrentam períodos de chuvas intensas, destacando a importância de planos de contingência robustos e sistemas de alerta precoce para proteger vidas e minimizar danos materiais em eventos climáticos extremos.