Tragédia em Minas Gerais: Como a imprensa internacional noticiou o desastre climático
A tragédia provocada pelas chuvas intensas em Minas Gerais ultrapassou as fronteiras do Brasil e se tornou um destaque significativo na imprensa internacional. Com imagens impactantes de bairros completamente submersos, encostas desmoronadas e veículos sendo arrastados pela força das águas, veículos de comunicação da Europa, da América do Sul e do Oriente Médio classificaram o episódio como mais um capítulo dramático na série de eventos climáticos extremos que têm atingido o país.
Até o início da tarde de quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, as autoridades confirmaram pelo menos 30 mortes e cerca de 39 pessoas permaneciam desaparecidas. Centenas de residentes foram forçados a abandonar suas casas em cidades como Juiz de Fora e Ubá, as mais atingidas pelo desastre natural.
Repercussão nas grandes agências de notícias
A agência Reuters contextualizou o episódio dentro do período mais chuvoso do ano no Brasil, destacando que grande parte do país entra no auge da estação chuvosa durante o verão, de dezembro a março, trazendo frequentes chuvas intensas, tempestades, inundações e deslizamentos de terra.
A francesa AFP enfatizou os deslizamentos em áreas urbanas densamente povoadas e o volume de chuva muito acima da média histórica. Já a Associated Press chamou atenção para a evacuação de centenas de moradores, a interrupção de serviços básicos e a mobilização de equipes de resgate em meio ao risco de novos temporais.
Cobertura na Europa
No Reino Unido, a BBC destacou as operações de busca em meio à lama e aos escombros, relatando que as operações de resgate continuavam com trabalhadores e moradores buscando dezenas de pessoas desaparecidas após o desabamento de várias casas e prédios durante a noite.
O The Guardian também deu espaço à tragédia e ressaltou a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se manifestou nas redes sociais afirmando que o foco do governo era garantir assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio aos deslocados internos e o apoio à reconstrução.
Na Espanha, o jornal El País destacou que o Rio Paraíba e seus afluentes transbordaram, interditando dezenas de ruas e alagando bairros inteiros. Segundo o jornal, a situação foi agravada pelo solo já saturado após dias consecutivos de chuva.
Em Portugal, a SIC Notícias enfatizou o estado de emergência decretado em municípios mineiros e alertou para a previsão de novas precipitações. O canal relatou danos estruturais severos, com estradas bloqueadas e dificuldades de acesso às áreas atingidas.
Análise do Le Monde e cobertura sul-americana
Na França, o tradicional Le Monde inseriu o desastre em uma sequência recente de tragédias climáticas no Brasil. O diário relembrou as enchentes históricas no Rio Grande do Sul, em 2024, e o desastre em Petrópolis, em 2022, ambos com centenas de vítimas. A publicação destacou que o país tem enfrentado, nos últimos anos, uma sucessão de eventos extremos— de inundações a secas severas e ondas de calor.
Na América do Sul, o argentino Clarín exibiu vídeos de carros sendo arrastados pela enxurrada e alertou para a previsão de continuidade das chuvas nos próximos dias. O La Nación deu ênfase aos relatos de moradores em busca de parentes desaparecidos após as tempestades e às dificuldades de acesso às áreas isoladas.
Cobertura além do eixo tradicional
Fora do eixo Europa–América, a cobertura também ganhou força significativa. A rede catari Al Jazeera acompanhou o trabalho de equipes de resgate com cães farejadores e trouxe relatos emocionantes de moradores que perderam familiares sob os escombros.
A tragédia em Minas Gerais demonstra como eventos climáticos extremos no Brasil têm ressonância global, com a imprensa internacional não apenas reportando os fatos, mas contextualizando-os dentro de um padrão mais amplo de mudanças climáticas e seus impactos devastadores sobre populações vulneráveis.



