Enchente causa destruição total em campus universitário de Ubá
Dois dias após as fortes chuvas que devastaram a cidade de Ubá, na Zona da Mata mineira, o campus da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) no município ainda se encontra tomado pela lama na manhã desta quarta-feira (25). A água que invadiu o subsolo do prédio durante a noite de segunda-feira (23) destruiu completamente tudo o que encontrou em seu caminho, incluindo livros raros, mobiliário especializado e equipamentos de laboratório de altíssimo valor tecnológico.
Cenário de guerra e prejuízos milionários
A diretora da unidade, Kelly Silva, estima que os prejuízos materiais oscilem entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões, classificando a situação como "um cenário de guerra". "Pela primeira vez, a água atingiu o teto de todo o subsolo, então foi perda total. Temos equipamentos de ponta, com investimento altíssimo, que valem milhões. Tínhamos... perdemos tudo", declarou ela em entrevista.
A unidade funciona em um prédio histórico de três andares, que anteriormente abrigava uma fábrica de calçados, localizado nas proximidades do Ribeirão Ubá. É precisamente no subsolo que se concentravam a biblioteca universitária e todos os laboratórios especializados, incluindo os de Ciências Biológicas, Química e Análises de Água, essenciais para as atividades acadêmicas e de pesquisa.
Rapidez da inundação impediu ações preventivas
Na noite em que a chuva intensa atingiu a cidade, apenas o porteiro e um motorista estavam presentes nas instalações. Segundo relato da diretora Kelly Silva, o nível da água subiu de forma considerável em menos de trinta minutos, o que impossibilitou qualquer tentativa de ação para minimizar os danos ou salvar parte do acervo e equipamentos.
"Não foi a primeira vez que enfrentamos estragos causados por chuvas, mas nada se compara a este episódio mais recente", explicou a diretora. "Nossos laboratórios e biblioteca sempre funcionaram no subsolo, mas havíamos implementado contenções, comportas e barreiras para evitar a subida excessiva da água. Contudo, nossa comporta de aço ficou parecendo isopor diante da pressão, que amassou tudo".
Infraestrutura comprometida e resposta institucional
Atualmente, o imóvel encontra-se sem abastecimento regular de água e aguarda a chegada de uma equipe especializada de funcionários, que será enviada pela reitoria da UEMG para auxiliar nos trabalhos de limpeza, descontaminação e reparos emergenciais. A dimensão dos danos exige uma resposta coordenada para restabelecer as condições mínimas de funcionamento.
Apesar do cenário de destruição interna, a unidade universitária assumiu um papel social crucial, transformando-se em um ponto de apoio para estudantes diretamente afetados pela enchente. "Decidimos disponibilizar a unidade para receber auxílio, pois vários estudantes tiveram suas residências atingidas. É nosso papel social ajudar nesta situação de emergência", completou Kelly Silva.
Contexto regional da tragédia
A enchente em Ubá integra um contexto mais amplo de tragédia na Zona da Mata mineira, onde as chuvas intensas causaram dezenas de mortes e desaparecimentos. Em Juiz de Fora, cidade vizinha, foram registrados trinta óbitos e trinta e um desaparecidos, enquanto em Ubá contabilizam-se sete mortes e dois desaparecidos. Entre as vítimas estão estudantes e uma professora, evidenciando o impacto humano direto na comunidade acadêmica.
Foram registradas quase oitocentas ocorrências relacionadas ao temporal em Juiz de Fora, a maioria envolvendo escorregamentos de talude, ameaças de deslizamento e alagamentos severos. Cerca de mil pessoas permanecem sem energia elétrica na cidade, agravando a situação de vulnerabilidade.
Dados preocupantes sobre áreas de risco
Segundo levantamento atualizado do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Juiz de Fora ocupa a nona posição entre as cidades brasileiras com maior população residente em áreas de risco para deslizamentos, enchentes e enxurradas. Dos 540.756 habitantes da cidade, aproximadamente 128.946 pessoas (23,7% da população) vivem em zonas consideradas vulneráveis a esses fenômenos naturais.
Esta estatística sublinha a necessidade urgente de políticas públicas mais efetivas de prevenção e mitigação de desastres, especialmente em regiões historicamente suscetíveis a eventos climáticos extremos. A destruição do campus da UEMG em Ubá serve como um alerta contundente sobre os riscos que instituições educacionais e comunidades inteiras enfrentam diante da crescente intensificação de chuvas e inundações.
