Uma enchente considerada atípica pelos moradores atingiu comunidades indígenas localizadas às margens do Rio Gregório, em Tarauacá, no interior do Acre, na última sexta-feira (25). De acordo com a Defesa Civil do município, pelo menos dez aldeias foram afetadas, impactando diretamente cerca de 140 famílias dos povos Yawanawá e Katukina.
Surpresa e alerta
O avanço das águas surpreendeu moradores e lideranças locais por ocorrer em um período em que, historicamente, os níveis dos rios começam a baixar. Segundo o coordenador da Defesa Civil em Tarauacá, sargento Leandro Simões, uma equipe está em deslocamento para a terra indígena, juntamente com membros do governo do estado e da assistência social da cidade, para averiguar a situação e coletar dados dos danos causados pela enchente.
“Nós estamos mapeando esta ocorrência desde ontem [sexta, 24], colhendo dados das famílias que moram nas aldeias e lá, infelizmente, não temos como aferir o [nível do] rio. Não há um ponto de coleta de dados”, destacou ele.
Impactos iniciais
A elevação do rio invadiu casas e comprometeu áreas de plantio, agravando a situação das comunidades, que dependem da produção local para subsistência. As autoridades seguem monitorando o Rio Gregório, já que as chuvas nas cabeceiras ainda mantêm o risco de novos aumentos no volume de água.
“Segundo relatos dos próprios moradores, é histórico, ou seja, é a primeira vez que o rio atinge esse nível, de adentrar mais em casas, ocasionar a perda de animais como galinhas, patos. Nós estamos prestando todo o apoio necessário nesse momento, e tão logo nós tenhamos dimensão realmente da gravidade, vamos poder atender melhor as famílias”, destacou o sargento.
Dificuldade de acesso
O acesso à região é feito exclusivamente por via fluvial, o que dificulta a chegada de equipes de apoio. A informação de que a enchente na região é histórica também é reforçada pelo líder indígena Tashka Yawanawá.
“Ao contrário do que se costuma acontecer durante os anos, está acontecendo a maior alagação histórica na terra indígena do Rio Gregório, onde afeta os povos Yawanawá e Katukina que vivem lá. Isso é um reflexo das mudanças climáticas, que só tem a piorar cada vez mais”, falou.



