Chuvas em Juiz de Fora deixam 43 vítimas e 18 desaparecidos; professora sobrevive a deslizamento
Chuvas em Juiz de Fora: 43 vítimas, 18 desaparecidos e sobrevivente

Chuvas Devastadoras em Juiz de Fora: 43 Vítimas e 18 Desaparecidos em Deslizamentos

As fortes chuvas que atingiram a região de Juiz de Fora, em Minas Gerais, resultaram em uma tragédia de grandes proporções, com 43 vítimas confirmadas na cidade e 6 em Ubá, além de 18 pessoas que seguem desaparecidas. Entre os sobreviventes, destaca-se a história da professora de artes Rogéria Olímpio, de 50 anos, que enfrentou momentos de terror quando sua casa foi soterrada por um deslizamento de terra.

O Relato da Sobrevivência: Uma Noite de Horror no Bairro Vila Ideal

Na noite de segunda-feira (23), por volta das 22h, no bairro Vila Ideal, Rogéria Olímpio, que leciona na rede estadual de ensino de Comendador Levy Gasparian (RJ), estava em casa com a família quando ouviu um estalo forte. Segundo o relato de sua irmã, Virgínia Olímpio, de 48 anos, a professora e sua filha de 16 anos foram para a varanda, enquanto o marido tomava banho. Em instantes, a casa dos sogros deslizou, bloqueando a passagem de fuga.

"Isso demorou uns 50 minutos, mais ou menos. Eles não achavam ninguém que pudesse ajudar elas a descerem", contou Virgínia, emocionada. No terreno, havia duas residências compartilhando a mesma entrada: a de Rogéria, onde morava com o marido e a filha, e a dos sogros. O marido, ao sair do banho, tentou resgatar os pais pelo telhado, mas a sogra faleceu e o sogro, identificado como seu Antônio, permanece desaparecido.

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Ferimentos Graves e a Luta pela Recuperação

A adolescente sofreu fratura na ponta de um dedo da mão e escoriações pelo corpo. Já Rogéria teve ferimentos mais sérios: fraturas nas costelas, fratura em um osso da base do quadril e um traumatismo craniano leve, com parte do couro cabeludo arrancada por destroços. "Elas estavam na varanda, elas caíram, mais ou menos, uns seis, oito metros de altura, né, que a casa é alta, assim. Aí a minha irmã, a minha sobrinha falou que a minha irmã caiu por cima dela", descreveu Virgínia.

O marido da professora também ficou ferido, preso sob os escombros da cintura para baixo, sendo resgatado apenas por volta das 4h da manhã pelo Corpo de Bombeiros, com o pé quebrado. A família só foi informada do ocorrido após a meia-noite, e parentes viajaram às pressas para ajudar nos resgates.

Desafios Pós-Tragédia: Sepultamento e Recomeço

Além da busca pelo sogro desaparecido, a família enfrenta dificuldades para sepultar a sogra, cujo corpo aguarda liberação no cemitério devido à falta de vagas. "É uma tristeza que não tem fim. Quando a ficha cair, eles [os feridos] vão ver que não têm mais casa, que os pais se foram, que precisam recomeçar do zero. Não tem um lápis para minha sobrinha voltar para a escola, não tem um copo. Não sobrou nada", lamentou Virgínia.

Enquanto isso, Rogéria permanece internada no Hospital de Pronto Socorro de Juiz de Fora com traumas graves, e familiares, incluindo um irmão do marido que veio de São Paulo, acompanham os trabalhos de resgate no local. "A gente se sente impotente de ver que não é nada diante da força da natureza. Você nunca imagina que vai acontecer com a gente, até acontecer", resumiu a irmã da vítima.

As chuvas intensas continuam a causar estragos na região, com autoridades mobilizadas para auxiliar as vítimas e localizar os desaparecidos, em um cenário de destruição que evidencia a vulnerabilidade diante de desastres naturais.

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