Chuva Histórica Devasta Juiz de Fora e Ubá na Maior Tragédia Climática Recente
O temporal que começou no fim da noite de segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, em Juiz de Fora, transformou-se na maior catástrofe climática da história recente da Zona da Mata mineira. Em menos de 24 horas, o acumulado de água fez de fevereiro de 2026 o mês mais chuvoso já registrado na cidade, superando marcas centenárias e deixando um rastro de destruição que afetou profundamente a região.
Alerta e Primeiras Ocorrências
O alerta da Defesa Civil foi emitido às 22h de segunda-feira para Juiz de Fora, mas os primeiros deslizamentos ocorreram ainda no fim da noite. Durante a madrugada, a situação se agravou com soterramentos, alagamentos e transbordamentos de rios em toda a região. Até o fim da noite de terça-feira, 24 de fevereiro, o balanço parcial apontava 31 mortos e 38 desaparecidos, além de milhares de desabrigados entre Juiz de Fora e Ubá.
Cronologia da Tragédia
Segunda-feira, 23 de fevereiro:
- Início do temporal: A chuva começou no fim da tarde em Juiz de Fora, intensificando-se à noite e estendendo-se até a madrugada de terça-feira.
- Transbordamentos: O Rio Paraibuna transbordou em diversos pontos, obrigando o fechamento do Mergulhão para o trânsito. Diversas ruas e avenidas registraram pontos de alagamento severos.
- Primeiros desmoronamentos: Foram registrados os primeiros deslizamentos de barrancos, soterramentos e alagamentos. A Prefeitura confirmou ocorrências graves em pelo menos 14 localidades.
- Alerta à população: Por volta das 22h, a Defesa Civil enviou um "alerta severo" via SMS e redes sociais para toda a cidade.
- Suspensão de aulas: Diante do cenário crítico, a Prefeitura anunciou a suspensão das aulas na rede municipal. Instituições estaduais, particulares e federais também cancelaram as atividades.
- Caos em Ubá: No mesmo período, o Rio Ubá transbordou, tomando a Avenida Beira Rio. Vídeos registraram caixões de uma funerária sendo carregados pela enxurrada e veículos sendo arrastados no Centro da cidade.
Terça-feira, 24 de fevereiro:
- Madrugada: Na região Central de Juiz de Fora, a queda de um barranco atingiu o primeiro pavimento de um prédio e duas casas na Rua Engenheiro Murilo Miranda de Andrade, no bairro Paineiras. Pelo menos 15 moradores ficaram presos e dois foram soterrados. No bairro JK, uma edificação desmoronou na Rua Francisco Gonzalo de Faria, com vizinhos relatando estalos seguidos por um forte estrondo. A Prefeitura confirmou soterramentos nos bairros Cerâmica, Esplanada, Três Moinhos, Santa Rita e Parque Burnier. Por volta das 2h, o município decretou estado de calamidade pública.
- Manhã: Os Bombeiros iniciaram buscas por pelo menos 36 desaparecidos, enquanto a Defesa Civil contabilizou mais de 500 ocorrências em poucas horas. Foi emitido um “alerta extremo” para o risco iminente de novos deslizamentos devido ao solo encharcado. O número de mortos confirmados ultrapassou 10 ainda nas primeiras horas do dia. O transporte coletivo urbano foi paralisado e o comércio orientado a não abrir. Em um resgate emocionante, equipes conseguiram retirar com vida uma mulher que estava soterrada dentro de casa. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, decretou luto oficial de três dias no estado.
- Início da tarde: O balanço parcial confirmou 22 mortos na região e aumentou o número de desaparecidos para 45. A prefeita Margarida Salomão definiu a data como o 'dia mais triste do seu governo'. As buscas continuaram no Parque Burnier, com relatos de moradores ajudando vizinhos e parentes soterrados. A Defesa Civil determinou a evacuação de áreas de risco, orientando que cerca de 600 famílias deixassem suas casas imediatamente. Em Ubá, o prefeito José Damato classificou o temporal como a 'maior tragédia da história' do município.
- Tarde: Foram lançadas campanhas de doação 'SOS Juiz de Fora'. Entre os mortos confirmados em Juiz de Fora, estão um estudante e uma professora da rede municipal. Em coletiva, Romeu Zema afirmou que quase 100 pessoas foram resgatadas com vida. O Corpo de Bombeiros empenhou 141 militares (113 em Juiz de Fora e 28 em Ubá) para atuar exclusivamente na tragédia. O número de pessoas que precisaram deixar suas casas e buscar abrigos públicos ou casa de parentes já passava de 3 mil.
- Noite: Equipes se revezaram para continuação das buscas nas cidades mineiras. Em coletiva de imprensa no início da noite, ministros confirmaram envio da Força Nacional do SUS e reconhecimento do decreto de calamidade em Juiz de Fora. O número de mortos na Zona da Mata subiu para 30.
Vítimas e Contexto Histórico
Entre as vítimas da tragédia estão estudantes e uma professora. As mortes aconteceram nos bairros JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa. Minas Gerais tem o período chuvoso com mais mortes em 5 anos, após a tragédia na Zona da Mata. Desde outubro de 2025, ao todo, já são 41 mortes registradas, incluindo os 30 óbitos já confirmados na região de Juiz de Fora. Segundo a Defesa Civil de Minas, o número é o maior dos últimos cinco anos e fica atrás apenas do período chuvoso de outubro de 2019 a março de 2020, quando houve 74 óbitos.
Comparativo de mortes registradas nos períodos chuvosos recentes:
- Outubro de 2019 a março de 2020: 74 óbitos
- Outubro de 2020 a março de 2021: 22 óbitos
- Outubro de 2021 a março de 2022: 30 óbitos
- Outubro de 2022 a março de 2023: 22 óbitos
- Outubro de 2023 a março de 2024: 6 óbitos
- Outubro de 2024 a março de 2025: 26 óbitos
- Outubro de 2025 a fevereiro de 2026: 41 óbitos (até o momento)



