Cheia do Rio Acre: Famílias tentam retomar a rotina em meio à lama e perdas materiais
As 39 famílias e 28 animais de estimação que estavam abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco, totalizando 115 pessoas, já retornaram para casa na última segunda-feira (9). O retorno ocorreu após o Rio Acre ficar abaixo dos 10 metros no início desta semana. Entretanto, cinco destas famílias não tiveram condições de voltar para suas residências e devem ser colocadas no aluguel social devido a riscos estruturais nos imóveis.
Famílias aguardam aluguel social e suporte da Defesa Civil
O coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que as famílias que não puderam retornar aguardam em casas de parentes ou em outros locais enquanto é providenciado o benefício para cada uma delas. “No mês de janeiro já levamos 18 famílias para o aluguel social, totalizando 23. Essas famílias vêm para o abrigo e recebem todo o suporte necessário como alimentação, abrigo, atendimento médico, odontológico, de lazer, corte de cabelo, segurança 24 horas, tudo o que precisam, são atendidos no parque”, detalhou.
Conforme Falcão, também há os desalojados, que são levados para as casas de parentes durante as inundações. Na última quinta-feira (12), o órgão terminou de levar essas famílias e seus pertences de volta para suas casas. “Além disso, nós fizemos vistoria técnica nas casas para poderem voltar, entregamos kit de material de limpeza e cestas básicas para cada uma dessas famílias para voltarem para casa e recomeçar”, disse.
Limpeza nos bairros afetados pela enchente
Com a diminuição do nível do Rio Acre, diversas famílias enfrentam os impactos deixados pela enchente. A equipe da Rede Amazônica foi até o bairro Ayrton Senna, na região da Baixada da Sobral, para mostrar a situação pós-inundação. A aposentada Maria Helena, moradora do bairro, afirmou que a limpeza na região foi realizada somente uma vez. “Vieram 15 dias depois da alagação porque nós fizemos reportagem. E vieram, levaram uma caçamba e até hoje não voltaram mais para limpar e as ruas continuam com entulho”, destacou.
A limpeza nos bairros é realizada de forma gradual e, em alguns pontos, os próprios moradores iniciaram a retirada de lama e dos objetos destruídos pela água. O autônomo Ricardo Queiroz comentou que precisou comprar o material necessário para fazer a limpeza da sua casa. “Para retornar agora, eu tive que comprar o sabão, o pano, a água sanitária, porque não passaram, não deram água, não deram alimentação nenhuma até hoje”, declarou.
Ricardo também contabiliza as perdas e aguarda o apoio para reconstruir o que foi danificado pela enchente. “Eu tenho oito filhos dentro de casa. Perdi uma cama, um fogão e um guarda-roupa, porque o guarda-roupa já era velho e já foi doado por outras pessoas”, comentou.
Trabalho preventivo e situação atual
O diretor operacional da Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade (SMCCI), Anderson Santana, disse que bairros como Ayrton Senna, Baixada da Cadeia Velha, Baixada da Habitasa, Triângulo Novo, 6 de Agosto e outros bairros adjacentes ao Rio Acre estão recebendo um trabalho preventivo desde dezembro de 2025. “Sabemos que em todo final de ano, parece que é de lei ter transbordamento do Rio Acre. Então, desde dezembro a gente já vem acompanhando, monitorando esses bairros e fazendo retirada de entulho desses locais”, explicou.
De acordo com Santana, devido a esse trabalho preventivo, com o nível do Rio Acre baixando novamente, não houve problemas de entulhos nesses locais, com exceção do Bairro da Base, onde está sendo feito um trabalho de retirada de lama e areia. “Não tivemos ação de retirada de entulho, porque logo após o natal e início de janeiro, a gente vem trabalhando nesses locais. Assim como em outros bairros também a gente vem trabalhando preventivamente”, finalizou.
Histórico das cheias do Rio Acre
A primeira cheia foi registrada quando o manancial transbordou no dia 16 de janeiro e atingiu 14,01 metros na medição das 15h. Após oito dias consecutivos de transbordamento, o rio começou a baixar no dia 24 de janeiro, quando marcou 13,98 metros na medição das 5h. No entanto, poucos dias depois, o nível voltou a subir e a segunda cheia foi registrada quando o rio transbordou novamente no dia 29 de janeiro, ao atingir 14 metros na medição das 18h.
Na última terça-feira (3), após quase uma semana em transbordamento, o manancial começou a vazar. Neste período, o maior nível do rio tinha sido registrado no dia anterior, quando marcou 15,44 metros na medição das 9h e atingiu mais de 12 mil pessoas direta e indiretamente na capital. Além disso, de acordo com monitoramento oficial, o manancial entrou na casa dos 10 metros no sábado (7), quando na medição das 15h o nível marcou 10,93 metros e continuou em queda ao longo do dia.
Após quatro dias abaixo da cota de atenção, o Rio Acre voltou a ultrapassar a marca de 10 metros pela quinta vez em dois meses, em Rio Branco, e marcou 10,14 metros na medição das 5h desta sexta-feira (13), conforme a Defesa Civil Municipal. Na medição das 9h desta sexta (13), o nível apresentou um recuo de 8 centímetros e marcou 10,06 metros.



