Buscas por irmãos desaparecidos no Pico da Bandeira entram no terceiro dia com clima adverso
As buscas pelos irmãos Jonatan Peixoto Ribeiro, de 24 anos, e Juliana Peixoto Ribeiro, de 27, entram no terceiro dia nesta quarta-feira (25), no Parque Nacional do Caparaó, localizado na divisa entre o Espírito Santo e Minas Gerais. Os dois foram vistos pela última vez por volta das 2h da madrugada de segunda-feira (23), quando saíram do acampamento Casa Queimada em direção ao pico, e desde então não houve mais contato.
Mais de 48 horas sem notícias e operação intensificada
As equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais retomaram as buscas por volta de 4h desta quarta-feira (25). Ao todo, mais de 30 pessoas participam da operação, incluindo militares, servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), funcionários do parque e guias voluntários.
Dois postos de comando foram montados, um na sede do parque em Alto Caparaó, Minas Gerais, e outro no acampamento Casa Queimada, no lado capixaba. Além disso, foram instaladas duas bases avançadas nas regiões conhecidas como Tronqueira e Terreirão para melhorar a comunicação e dar suporte logístico às equipes.
Clima é principal obstáculo nas buscas
Segundo o tenente Queiroz, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, as buscas estão concentradas em áreas consideradas mais prováveis, mas as condições climáticas representam um grande desafio. "Hoje a gente iniciou o terceiro dia de buscas. Devido às condições climáticas, com tempo totalmente fechado, baixa visibilidade e chuva constante, as buscas estão sendo feitas a pé", explicou Queiroz.
Neblina intensa, chuva e ventos fortes impedem o uso de aeronaves e drones, recursos essenciais nesse tipo de operação em área de montanha. A chefe do parque, Adriana Carvalho, afirmou que até o momento não há indícios concretos do paradeiro dos irmãos. "Absolutamente nada. A gente está fazendo varredura das áreas e eliminando possibilidades. Eles possivelmente estão sem alimentação e lá em cima está fazendo frio e chovendo bastante. A gente precisa correr contra o tempo", disse.
Possível deslocamento para o lado mineiro e detalhes do desaparecimento
Embora os irmãos tenham entrado pela portaria do parque em Dores do Rio Preto, no Espírito Santo, há indícios de que possam estar na parte mineira da unidade de conservação. Por isso, uma equipe especializada do Espírito Santo reforçou as buscas em Minas Gerais. O parque tem mais de 30 mil hectares, com relevo acidentado e trilhas que se cruzam, o que pode provocar desorientação, principalmente durante a madrugada.
Jonatan e Juliana estavam em um grupo de quatro irmãos que saiu de Aracruz, no Norte do Espírito Santo, com a intenção de subir o Pico da Bandeira. Entre a portaria e o acampamento Casa Queimada, dois dos irmãos desistiram da subida devido ao cansaço. Jonatan decidiu continuar a trilha durante a madrugada e Juliana optou por acompanhá-lo para que ele não seguisse sozinho. Desde então, os dois não foram mais vistos.
Início das buscas e características do Pico da Bandeira
A equipe da 2ª Companhia do 3º Batalhão, em Guaçuí, foi acionada assim que recebeu a informação e iniciou as buscas imediatamente, mesmo com chuva e ventos fortes. Uma equipe do Notaer deu apoio aéreo, mas as condições desfavoráveis do clima dificultaram os trabalhos, com sobrevoos realizados em duas trilhas antes do retorno para a base em Vitória.
As buscas se concentraram nas áreas próximas à trilha principal do Pico da Bandeira e se estenderam por pontos estratégicos, como a Pedra das Duas Irmãs e o Pico do Calçado, mas não foram encontrados vestígios. O Pico da Bandeira, com 2.892 metros de altitude, é o terceiro ponto mais alto do Brasil e o mais alto da Região Sudeste, conhecido por seu nascer do sol espetacular e temperaturas que podem chegar a -14 °C.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade informou que o parque está fechado nesta quarta-feira por procedimento de manutenção já previsto, mas as buscas continuam normalmente. A família acompanha os trabalhos e, até o momento, prefere não se manifestar.



