Aposentada chora ao relembrar alagações que impedem obra há 4 anos em Rio Branco
Os moradores atingidos pela enxurrada desta terça-feira (14) em Rio Branco, no Acre, enfrentam agora uma nova dificuldade após as águas baixarem: a retirada de entulhos, lama e lixo de suas residências. Segundo a Prefeitura de Rio Branco, o número de famílias afetadas pela enxurrada ultrapassa 1,1 mil na região da Baixada da Sobral, com o número de bairros atingidos subindo de 12 para 13.
Chuva intensa e ações emergenciais
A Defesa Civil de Rio Branco informou que, em apenas três horas, choveu o equivalente ao esperado para uma semana inteira, com um acumulado de 51,8 milímetros. Nesta quarta-feira (15), equipes da prefeitura estão utilizando máquinas pesadas para remover a sujeira das ruas, enquanto um gabinete de crise foi montado no bairro Plácido de Castro para atender às famílias afetadas.
Conforme a Defesa Civil Municipal, 54 ruas precisam de limpeza em 13 bairros da região. O órgão também destacou que os moradores devem receber kits de limpeza e, em algumas localidades, há a necessidade de distribuição de cestas básicas para auxiliar na recuperação.
Histórias de luta e desespero
O bairro Plácido de Castro foi um dos mais atingidos pela enxurrada. É lá que mora a aposentada Maria do Socorro da Silva, de 67 anos, que ainda tem água no quintal nesta quarta-feira. Ela chorou ao relembrar que tenta terminar uma construção na parte de trás de sua casa desde 2022, mas não consegue devido às enchentes recorrentes.
"Moro aqui há 50 anos e não consegui terminar ainda. Sempre alagou aqui, quando vim morar não era assim. Não fizeram esse esgoto direito, sempre alaga, molha tudo e nunca recebi auxílio de ninguém", criticou a aposentada, destacando que a obra é para elevar a residência e evitar que a água da chuva entre no local.
Outros relatos de dificuldades
Também moradora do bairro Plácido de Castro, a autônoma Adriane Viana de Lima, de 29 anos, vive há dez anos na Rua Fortaleza e estava em casa com a filha de 4 anos quando a chuva começou. "Acho que não teve uma casa que não inundou. A casa do meu sogro inundou, a minha também e tenho uma filha de 4 anos. Além dele dar suporte na casa dele, teve que dar suporte na minha casa também porque não apareceu ninguém para ajudar. É revoltante a gente viver nesta situação", lamentou.
Ela relatou que a água subiu rapidamente dentro de casa, e a única reação que conseguiu ter foi colocar a filha em cima da cama para não ser arrastada pela correnteza. "Me vi em uma situação difícil. Não saí de casa porque fiquei com medo de cair, a correnteza estava muito forte. Neste momento só pensei em socorrer a vida da minha filha", relembrou.
Impactos na educação e infraestrutura
Os filhos da autônoma Priscila Michele Souza Figueiredo, de 32 anos, não conseguiram ir à escola nesta quarta-feira devido ao quintal da casa estar inundado. Ela mora há nove anos no Loteamento São Sebastião e criticou a falta de manutenção dos bueiros. "Tem mais de meses que ligamos para limpeza, mas não aparece ninguém aqui. A água chegou no nível da minha porta, desceu um pouco ainda pelos cantos do muro. Até agora ninguém veio aqui, moro há nove anos aqui e a tendência é só piorar", acrescentou.
Adriane destacou que esta enxurrada foi a pior porque a água entrou nas casas muito rapidamente. "A gente tira tudo do lugar, arrumei um pouco, mas estava cansada porque ajudamos outras pessoas. Tudo que a gente constrói a água vem e destrói", enfatizou, refletindo a frustração de muitos moradores com a situação recorrente.



