A Casa de Governo em Roraima apresentou um balanço detalhado das operações de combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Entre março de 2024 e abril de 2026, foram realizadas mais de 10 mil operações que resultaram na destruição de 250 mil litros de óleo diesel e 3,2 mil equipamentos utilizados na atividade criminosa.
Combate à logística dos invasores
Além do diesel, o cerco à logística dos invasores destruiu mais de 80 mil litros de gasolina, dos quais 16,1 mil eram destinados à aviação (GAV). O prejuízo total ao garimpo ilegal ultrapassa R$ 683 milhões, segundo o governo federal. Entre os equipamentos destruídos estão 2.155 motores, 558 geradores e 504 esteiras separadoras de minério.
Desde 2024, as forças federais de segurança também desarticularam 845 acampamentos e inutilizaram 290 embarcações, 51 aeronaves e 80 pistas de pouso clandestinas. No mesmo período, foram apreendidas 194 toneladas de cassiterita. A estimativa é de que as ações tenham reduzido em 98% as áreas de garimpo no território, segundo a Casa de Governo. A estratégia combina repressão direta, monitoramento e bloqueio de rotas de abastecimento.
Apreensões de mercúrio e ouro
Outro destaque do balanço foram as apreensões recentes de mercúrio. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) interceptou 835 quilos do metal em Roraima em menos de 15 dias. Em uma das ações, foram apreendidos quase 400 quilos do metal de uma só vez na BR-174, considerada a maior apreensão da corporação no país até o momento. Além do produto tóxico, só em 2025, Roraima concentrou quase metade de todo o ouro ilegal apreendido no Brasil pela Polícia Federal, com 213,69 kg do minério.
Expansão das ações
Em abril de 2025, o combate avançou para áreas mais remotas da Terra Yanomami. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Força Nacional atuam em conjunto para localizar e destruir acampamentos e dragas na área conhecida como Garimpo do Rangel e Baixo Catrimani. Ao mesmo tempo, foram destruídas cinco pistas clandestinas nas regiões de Xiriana, Noronha, Capixaba, Quincas e Hélio. Cinco garimpeiros foram presos nesses locais. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também têm fiscalizado rodovias, rios e unidades de conservação. Em locais como Campos Novos, Samaúma e Caracaraí, o foco das abordagens é bloquear o envio de suprimentos e peças de aeronaves.



